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Madeira

JP Madeira critica política de "gritos" e demagogia

Jovens do CDS alertam para saída de jovens da Madeira

Foto DR/JP-Madeira
Foto DR/JP-Madeira

Habitação, baixos salários e falta de oportunidades estiveram em destaque no XII Congresso Regional, que ficou também marcado por críticas ao populismo e pela defesa de uma política de proximidade.

A dificuldade em encontrar habitação, os baixos salários e a falta de oportunidades continuam a condicionar o futuro dos jovens na Madeira e a empurrar muitos para fora das suas comunidades. O alerta foi deixado este sábado pela Juventude Popular (JP), durante o XII Congresso Regional do CDS-PP, numa sessão de intervenções políticas marcada por críticas ao populismo e pela defesa de soluções concretas para os problemas das novas gerações.

João Pedro Sousa, presidente da concelhia da JP de São Vicente, levou ao Congresso o exemplo de um amigo que, depois de anunciar que ia ser pai, se viu obrigado a procurar melhores condições de vida fora do concelho. Um testemunho que serviu para ilustrar as dificuldades de quem pretende constituir família e permanecer na sua terra.

O dirigente apontou a escassez de habitação acessível, a fragilidade dos salários e a falta de oportunidades estruturais como alguns dos principais obstáculos à fixação dos jovens na Região.

Na sua intervenção, criticou ainda o recurso ao populismo e à demagogia no debate político, contrapondo essas práticas ao trabalho desenvolvido pela JP junto das instituições e da sociedade civil. "A política não se faz com gritos. Faz-se com trabalho", afirmou, defendendo propostas fundamentadas e soluções pragmáticas com efeitos na vida dos jovens.

Também Luís Neves destacou a importância histórica da Juventude Popular na formação cívica e política de várias gerações, considerando que a organização tem uma responsabilidade na preparação dos futuros quadros dirigentes do CDS-PP.

O militante criticou a apresentação de propostas sem fundamentação técnica por parte de outras forças políticas, defendendo uma intervenção assente na responsabilidade, coerência e capacidade de concretização.

Porto Santo reivindica igualdade de oportunidades

As dificuldades específicas dos jovens do Porto Santo estiveram no centro da intervenção de Rafaela Gouveia (na foto), que chamou a atenção para os efeitos da dupla insularidade no acesso à habitação, aos cuidados de saúde, ao emprego qualificado e à prática desportiva.

"Hoje, o Porto Santo está aqui!", afirmou, salientando a participação de jovens da ilha no Congresso e defendendo que a distância geográfica não pode significar menor representação política.

A militante destacou, em particular, os constrangimentos no acesso a respostas especializadas de saúde mental, os encargos financeiros associados às deslocações e os obstáculos enfrentados pelos jovens atletas porto-santenses.

Rafaela Gouveia sublinhou ainda a importância das moções sectoriais debatidas no Congresso, defendendo que os compromissos assumidos devem traduzir-se em medidas concretas, acompanhadas de forma permanente.

"O Porto Santo pode estar separado da Madeira pelo mar, mas não está separado dos nossos valores, das nossas causas ou da nossa vontade de construir um futuro melhor", concluiu.

A sessão contou também com intervenções de outros militantes, num debate centrado nos desafios das novas gerações e no futuro da Juventude Popular na Madeira e no Porto Santo.