Juventude do CH-Madeira critica políticas de habitação e acusa esquerda de "hipocrisia"
Estrutura juvenil aponta a burocracia, a carga fiscal e o aumento da procura como factores da crise habitacional e defende a eliminação do IMT, IMI e AIMI
A Juventude Chega-Madeira (CH) considera que a crise da habitação resulta de décadas de políticas inadequadas, excesso de burocracia, elevada carga fiscal e falta de construção de habitação acessível. Num comunicado, a estrutura juvenil critica também a participação do PCP, do Livre e do Bloco de Esquerda nas recentes manifestações pela habitação, acusando os partidos de «aproveitamento político».
A organização sustenta que a redução das áreas disponíveis para construção, a complexidade dos licenciamentos e a incapacidade dos sucessivos governos para concretizar políticas eficazes têm agravado as dificuldades dos jovens no acesso à habitação, condicionando a independência financeira e a constituição de família.
"Há mais de duas décadas que os governos acumulam promessas, multiplicam impostos e complicam a vida a quem quer construir ou comprar uma casa. Os jovens trabalham, fazem sacrifícios e procuram construir o seu futuro, mas encontram um Estado que lhes fecha portas em vez de lhes abrir oportunidades. Não podemos continuar a aceitar que ter uma casa seja um luxo reservado a quem tem dinheiro ou privilégios", afirma Renata Rocha, da Juventude CH-Madeira.
A estrutura aponta também o crescimento da população estrangeira como um dos factores que, na sua interpretação, contribuem para o aumento da procura habitacional. Para sustentar esta posição, refere a evolução do número de estrangeiros residentes em Portugal, de cerca de 422 mil em 2017 para aproximadamente 1,6 milhões em 2025.
"Se analisarmos estes dados com atenção, percebemos que há um problema sério. Por mais que se fale na construção de centenas de habitações, se a nossa classe política continuar a trazer cada vez mais imigrantes para o país, é claro que não vão sobrar casas suficientes para todos. Nós temos de ser sérios em relação a este tema e não vir cá com a matemática socioeconómica da esquerda", defende Henrique Mota, também da estrutura juvenil.
Entre as medidas propostas estão a retoma da construção de habitação pública e social na Madeira, a eliminação do IMT, IMI e AIMI, a simplificação dos licenciamentos e a utilização de imóveis devolutos do Estado para habitação a preços acessíveis. A organização defende ainda o reforço da protecção dos senhorios perante ocupações ilegais e incumprimentos contratuais.
A Juventude CH-Madeira questiona igualmente a coerência do PCP, do Livre e do Bloco de Esquerda na abordagem à crise habitacional, tendo em conta as posições assumidas durante os governos apoiados pela chamada geringonça e a participação nas recentes manifestações.
"É impressionante a postura da extrema-esquerda! Durante anos apoiaram a política de imigração desenfreada de António Costa e defenderam os 'okupas'. Ao PCP, que possui um dos maiores patrimónios imobiliários do país, perguntamos: Por que razão não oferece esses imóveis a quem quer construir o seu futuro em Portugal? E, para não falar do facto de estas manifestações serem, no fundo, uma tentativa falhada de mostrar força eleitoral", afirma João Sousa.
A estrutura juvenil refere ainda a participação de movimentos anarquistas, comunistas e sindicais nas manifestações, assim como de organizações políticas estrangeiras, entre as quais a Unidade Popular, do Brasil, e a França Insubmissa, liderada por Jean-Luc Mélenchon.
A organização defende que a resposta à crise habitacional deve passar pela execução dos investimentos públicos, pelo aumento da construção, pela simplificação administrativa e pela criação de condições que permitam aos jovens alcançar autonomia e estabilidade financeira.