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Madeira

Escolas do 1.º ciclo recebem 90 kits de emergência para preparar crianças para catástrofes

Equipamentos incluem rádio, lanterna, primeiros socorros e jogos para assegurar a sobrevivência e o bem-estar durante as primeiras 72 horas após uma situação de emergência

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Governo Regional pretende que o conhecimento adquirido pelas crianças chegue também às famílias

As escolas do 1.º ciclo da Região vão receber 90 Kits de Emergência Infantil, numa iniciativa do Governo Regional que pretende reforçar a preparação das crianças para situações de catástrofe, nomeadamente sismos, e sensibilizar as famílias para a importância de estarem preparadas para responder a uma emergência. A entrega dos equipamentos decorreu na manhã desta quinta-feira, na Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, na Ribeira Brava, numa cerimónia presidida pelas secretárias regionais de Saúde e Protecção Civil, Micaela Freitas, e de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes.

A iniciativa integra o Programa de Educação para a Segurança e Prevenção de Riscos, que, no ano lectivo 2026/2027, coloca o Kit Individual de Emergência no centro das actividades pedagógicas destinadas aos alunos do ensino primário. Os 90 equipamentos serão distribuídos pelos estabelecimentos de ensino deste nível, acompanhados de materiais de apoio pedagógico e de um cronograma de implementação, de forma a assegurar uma abordagem uniforme em toda a Região.

Cada kit contém uma mochila, colete e boné reflectores, esferográfica com lanterna, lápis de cor, bloco de colorir, garrafa de água, manta térmica, lanterna de dínamo, powerbank, rádio, estojo de primeiros socorros, bússola e poncho para a chuva. Inclui ainda um conjunto de jogos, um baralho de cartas e um jogo do galo, permitindo conjugar os artigos essenciais de emergência com materiais de entretenimento para as crianças.

Segundo explicou Micaela Freitas, o equipamento foi concebido para responder às necessidades básicas durante as primeiras 72 horas após uma catástrofe ou situação de emergência. A governante sublinhou que, além de assegurar condições de subsistência, é importante proporcionar às crianças meios de distracção durante os três dias em que poderão ter de permanecer numa situação de isolamento ou condicionamento.

"É um kit de emergência dedicado às crianças, com aqueles artigos e bens que são essenciais durante 72 horas", afirmou, salientando a inclusão de equipamentos de comunicação e iluminação, mas também de jogos adequados ao público infantil.

A secretária regional da Saúde e Protecção Civil destacou ainda a intenção de fazer chegar esta sensibilização às famílias, através dos próprios alunos. A Comissão Europeia recomendou recentemente aos Estados-membros a implementação de kits de emergência para crianças e agregados familiares, uma orientação que, segundo Micaela Freitas, a Madeira já está a concretizar no contexto escolar.

Quanto à preparação das famílias, a governante esclareceu que o Executivo não pretende distribuir directamente um kit doméstico, mas antes emitir recomendações sobre os bens que deverão integrar esse equipamento. Os kits agora entregues às escolas também poderão ser complementados com água e refeições, de acordo com as necessidades.

Educação para o risco desde 2012

A secretária regional com a pasta da Educação, Elsa Fernandes considera que a entrega dos equipamentos representa sobretudo uma ferramenta de educação para a prevenção. "Ao estarmos a dar o kit às crianças, estamos a educá-las para aquilo que é necessário ter e fazer numa situação de emergência", afirmou, defendendo que o conhecimento adquirido pelos alunos deve chegar também aos agregados familiares, para que estes saibam como agir e preparar-se perante uma situação de risco.

A governante recordou que a Madeira desenvolve, desde 2012, o Programa de Educação para a Segurança e Prevenção de Riscos, numa parceria entre as secretarias regionais da Educação e da Saúde e Protecção Civil, criada na sequência da catástrofe de 20 de Fevereiro de 2010.

O projecto começou com uma intervenção mais limitada, mas foi sendo alargado e abrange actualmente diferentes níveis de ensino, desde o 1.º ciclo até ao secundário, com actividades adaptadas às idades dos alunos e destinadas à prevenção de vários tipos de risco.

Embora esta matéria não esteja integrada formalmente no currículo escolar, Elsa Fernandes garantiu que as escolas desenvolvem anualmente iniciativas nesta área. Considerou, por isso, que a Região está adiantada relativamente às orientações agora apontadas pela Comissão Europeia, que pretende reforçar a prevenção dos riscos climáticos nas escolas do pré-escolar e do ensino básico.

Questionada pelos jornalistas sobre as condições de segurança dos edifícios escolares perante a eventualidade de um sismo, a secretária regional da Educação afirmou que está a ser desenvolvido trabalho para garantir que todos estejam preparados, nomeadamente através da emissão dos respectivos certificados de segurança.

Para já, a distribuição dos kits abrange o 1.º ciclo, estando prevista a definição de uma estratégia para alargar a iniciativa aos restantes estabelecimentos de ensino, designadamente aos 3.º ciclos e secundário. Elsa Fernandes admitiu que o objectivo será, futuramente, estender o projecto a toda a rede escolar regional.

‘A Terra Treme’ mobilizou escolas às 11h05

As secretárias com as pastas da Educação e da Protecção Civil falaram aos jornalistas instantes antes da realização do exercício público nacional 'A Terra Treme', que decorreu em simultâneo às 11h05, envolvendo escolas de todo o país. A iniciativa, que pretende sensibilizar a população para o risco sísmico e assinala também o Dia Mundial de Sensibilização para o Risco de Tsunami, permite testar comportamentos de autoprotecção perante um sismo.