Protecção costeira do Porto Santo leva cerca de 50 pessoas a sessão de esclarecimento
Obras em curso na Ilha Dourada têm levantado várias questões entre a população residente
Intervenção de 2,1 milhões de euros esteve em debate durante quase duas horas. Governo Regional garante que os trabalhos são sustentados em estudos científicos e que apenas é utilizada areia proveniente da ilha.
Cerca de 50 pessoas participaram, ontem, numa sessão pública de esclarecimento sobre a empreitada de protecção costeira do Porto Santo, promovida pela Direcção Regional do Ambiente e Mar. O encontro, realizado no Centro Comunitário do Porto Santo, prolongou-se por quase duas horas, com a população a aproveitar para colocar várias perguntas sobre os trabalhos em curso, os respectivos impactos ambientais e os fundamentos técnicos das intervenções.
Nos últimos dias, com o arranque da intervenção, várias têm sido as críticas apontadas aos trabalhos em curso. Muitos residentes têm mostrado as suas dúvidas, que encontram eco, igualmente, nos partidos políticos. Foi o caso do PS-Madeira que, através da deputada Sílvia Silva, pediu, esta semana, explicações do secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura sobre as intervenções de desassoreamento, recarga de areia e reconstrução dunar que decorrem na praia do Porto Santo.
Carolina Rodrigues , 04 Novembro 2026 - 14:15
A iniciativa contou com a presença do director regional do Ambiente e Mar, Manuel Ara Oliveira, e do gestor dos projectos LIFE DUNAS e Praia Sustentável, Nuno Marques, além de representantes das entidades parceiras, entre as quais a Câmara Municipal do Porto Santo, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a Capitania do Porto do Porto Santo.
Entre os assuntos que suscitaram maior interesse estiveram a dinâmica costeira, a evolução histórica da praia, a qualidade das areias utilizadas nas intervenções e os estudos ecológicos realizados em meio terrestre e marinho. Foram igualmente apresentados os resultados dos estudos sobre a dinâmica sedimentar e imagens dos trabalhos já executados e daqueles que ainda estão por concluir.
Conforme refere a Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, numa nota de imprensa, um dos principais esclarecimentos prestados incidiu sobre a origem dos materiais utilizados na empreitada. Segundo deu conta a Direcção Regional do Ambiente e Mar, todas as intervenções recorrem exclusivamente a areia proveniente do Porto Santo, não sendo incorporados outros materiais nas operações de reforço da praia e recuperação do sistema dunar.
Foi também explicado que as opções tomadas, nomeadamente a escolha da época do ano para a realização dos trabalhos, a delimitação das áreas de intervenção e as metodologias utilizadas, resultam de estudos técnicos e científicos previamente desenvolvidos.
A empreitada, que representa um investimento de 2,1 milhões de euros, contempla três componentes, nomeadamente o desassoreamento do Porto de Abrigo, com aproveitamento dos sedimentos para reforçar o sistema praia-duna; a alimentação artificial de um troço da praia, na zona da Fontinha; e a reconstrução de um sistema dunar na Ponta-Calheta, no âmbito do projecto LIFE DUNAS.
Conforme refere a tutela, as intervenções pretendem reforçar a protecção natural da costa contra a erosão, melhorar as condições de navegabilidade do Porto de Abrigo e testar diferentes soluções de recuperação costeira. Os resultados serão acompanhados através de um programa de monitorização técnica e ambiental que decorrerá até 2028.
No final da sessão, o Governo Regional fez um balanço positivo da participação da população, reiterando a disponibilidade para continuar a prestar esclarecimentos sobre a empreitada. Caso se justifique, poderá ser organizada uma nova sessão pública, naquela que será a quarta iniciativa desta natureza dedicada à protecção costeira do Porto Santo.