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Madeira

Rede internacional de pedofilia teve ligações à Madeira

Em 1997, vídeos de exploração sexual de crianças madeirenses chocaram a Bélgica

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Há 29 anos, a edição do DIÁRIO de 6 de Novembro de 1997 fazia manchete com uma denúncia que colocava a Madeira no centro de um caso internacional de exploração sexual de crianças.

Com o título 'Pedófilos filmaram na Madeira em 97', o DIÁRIO revelava que as autoridades belgas tinham apreendido um novo vídeo, alegadamente gravado na Região naquele ano, e envolvia menores madeirenses.

"A rede internacional de pedofilia ligada à Madeira continua activa", podia ler-se no artigo, onde também dava conta das denúncias apresentadas pela deputada belga Nelly Maes, que exigia uma intervenção urgente das autoridades do seu país.

A parlamentar, profundamente chocada com as imagens de exploração sexual de crianças, algumas com idades entre os 8 e os 13 anos, tinha recusado assistir a uma segunda gravação. "Fiquei doente... era insuportável... quiseram-me propor uma segunda [cassete], mas eu não quis ver... é que eu sou mãe e sou também um ser humano", declarou aos jornalistas da RTP em Bruxelas.

O caso não era novo. Em Janeiro desse ano, a organização não-governamental belga 'Werkgroep Morkhoven' já tinha denunciado a circulação de vídeos de exploração sexual de crianças madeirenses numa rede internacional sediada na Bélgica. As gravações remontariam a 1992 e envolveriam cidadãos belgas, holandeses e um alegado intermediário madeirense.

A descoberta de novas imagens, cinco anos depois, reforçava as suspeitas de continuidade da actividade criminosa. Segundo a notícia, os indivíduos envolvidos permaneciam em liberdade, sem que tivesse havido qualquer procedimento judicial contra os suspeitos identificados nas gravações.

"O Governo belga é, assim, confrontado com factos reais que põem em causa não só o funcionamento da polícia da Bélgica, mas também a Justiça deste país", assinalava o artigo.

Em Portugal, o então ministro da Justiça, Vera Jardim, não comentou a denúncia. "O sr. ministro desconhece a tomada de posição da deputada belga", afirmou ao DIÁRIO a assessora de imprensa do governante, Eunice Andreia, acrescentando que os casos denunciados publicamente já estavam a ser investigados.

A notícia terminava com uma palavra que sintetizava a gravidade das denúncias e a ausência de consequências judiciais conhecidas naquela altura: "impunemente".