Cafôfo defende reforma do Sistema Regional de Saúde ao fim de 50 anos
O líder parlamentar do PS considera que o modelo actual está demasiado centrado nos serviços de urgência e na resposta à doença, em prejuízo dos cuidados primários e da prevenção. Defende também a reconversão do Hospital Dr. Nélio Mendonça para reforçar a reabilitação e os cuidados continuados.
O líder parlamentar do PS-Madeira, Paulo Cafôfo, defendeu hoje uma reforma do Sistema Regional de Saúde, aproveitando os 50 anos da sua criação, que se assinalam em 2027, para repensar o modelo de funcionamento e responder aos problemas existentes.
No encerramento das Jornadas Parlamentares do PS, subordinadas ao tema "Saúde sem Barreiras", o socialista considerou que a actual organização dos serviços precisa de ser revista, com a participação dos profissionais de saúde.
Um dos principais problemas apontados prende-se com a utilização dos serviços de urgência como porta de entrada dos utentes no sistema, quando essa função deveria caber aos cuidados de saúde primários. "Está tudo invertido", afirmou, alertando para a sobrecarga dos profissionais e o congestionamento dos serviços.
Paulo Cafôfo considerou também que a prevenção da doença tem sido desvalorizada, apesar da sua importância para a saúde da população. "Estamos a tratar só doenças e a prevenir muito pouco. A prevenção é fundamental, particularmente numa Região em que vivemos menos dois anos do que no continente", afirmou.
O líder parlamentar apontou ainda dados que, segundo referiu, evidenciam a dimensão dos problemas de saúde na Região: uma prevalência do cancro 12,9% superior à média nacional e das doenças cardiovasculares 15% acima desse valor. Acrescentou a existência de 140 mil actos médicos em lista de espera e centenas de situações de altas problemáticas.
Na avaliação do socialista, o investimento regional na saúde tem servido sobretudo para responder a encargos acumulados, em vez de resolver os problemas estruturais. "Tem havido verbas, mas é para pagar dívidas anteriores. Se continuarmos a financiar problemas, nunca teremos a resolução desses problemas", observou.
Cafôfo defendeu, por isso, uma reorganização dos serviços, que aproveite também as potencialidades das novas tecnologias e da Inteligência Artificial, tendo em conta o futuro Hospital Central e Universitário da Madeira.
Outra das medidas apontadas passa por melhorar a articulação entre os sectores da saúde e do social. Neste âmbito, voltou a defender que o Hospital Dr. Nélio Mendonça, após os investimentos realizados na infraestrutura, seja aproveitado para acolher valências de reabilitação, uma unidade do doente frágil, cuidados continuados e respostas para os casos de altas problemáticas.