Pelo menos 23 mortos em confrontos no Sudão do Sul
Pelo menos 23 pessoas morreram e milhares fugiram de combates que começaram no início de outubro entre as forças da oposição e as do Governo sul-sudanês no norte do Sudão do Sul, indicaram hoje fontes locais e policiais.
Independente do Sudão desde 2011, o país mais jovem do mundo enfrenta uma grande insegurança, especialmente devido a confrontos entre os soldados leais ao Presidente Salva Kiir e aqueles que apoiam o seu principal opositor e ex-vice-presidente Riek Machar, preso desde março de 2025 e acusado de "crimes contra a humanidade".
O SPLA-IO, as forças pró-Machar, atacaram desde o estado de Unidade, um dos seus bastiões, a região administrativa vizinha de Ruweng (norte) três vezes desde 04 de outubro, o último desses ataques tendo ocorrido na quinta-feira, declarou à AFP Tony Chol Ayat, ministro da Informação interino de Ruweng
Pelo menos 23 pessoas morreram e 17 ficaram feridas, afirmou Ayat, um balanço corroborado por duas fontes policiais.
Uma das fontes policiais também relatou que "milhares de pessoas fugiram das suas casas", quando Tony Chol Ayat inicialmente contabilizou "mais de 25.000" deslocados pelos combates, um número que depois aumentou para "mais de 100.000".
"São os combatentes do SPLA-IO, com o apoio de civis armados, que estão por trás da insegurança na zona", declarou à AFP um morador de Ruweng. "O Governo concentrou forças nas linhas da frente e os exércitos rebeldes foram repelidos", acrescentou.
O porta-voz do exército do Sudão do Sul, contactado pela AFP, não quis comentar a situação. As forças pró-Machar não responderam a um pedido de comentário.
O Sudão do Sul, país extremamente pobre e corrupto, onde uma grande parte da população tem dificuldade em aceder a serviços básicos como saúde e educação, está a passar por uma multiplicação de confrontos mortais, baseados em etnias ou por gado, que a situação política ainda agrava.
Este país do leste africano, onde as tropas de Machar e Kiir lutaram entre 2013 e 2018 durante uma guerra civil sangrenta, com mais de 400.000 mortos, vai organizar, no entanto, eleições presidenciais e legislativas no dia 22 de dezembro.
Uma votação já adiada várias vezes, mas que, nestas condições, "corre o risco de desencadear uma guerra", estimou em outubro a Comissão de Direitos Humanos da ONU no Sudão do Sul.