Edifício da Aramco danificado após tentativa de ataque em Riade
Queda de destroços de mísseis interceptados provocou estragos numa torre da petrolífera saudita. No Iémen, os huthis dizem que ataques da coligação liderada por Riade fizeram 33 mortos e 39 feridos
Um edifício administrativo da petrolífera Saudi Aramco, em Riade, foi danificado este domingo pela queda de destroços na sequência de uma tentativa de ataque, anunciou o Ministério da Energia saudita, depois de a coligação militar liderada pelo reino ter afirmado que intercetou mísseis lançados pelos huthis do Iémen.
Segundo o ministério, os danos foram limitados e não houve registo de vítimas. Uma testemunha da agência Reuters observou, contudo, várias janelas partidas em diferentes pisos da torre da Aramco, situada no distrito financeiro Rei Abdallah, na capital saudita.
A coligação anunciou ter intercetado dois mísseis lançados em direcção a Riade e, posteriormente, a destruição de dois mísseis de cruzeiro dirigidos à capital e à região sul do país. Não houve uma reivindicação imediata dos huthis relativamente ao incidente.
A escalada ocorre depois de o Ministério da Saúde controlado pelos rebeldes ter anunciado que subiu para 33 o número de mortos num ataque aéreo de sábado na aldeia de Al-Shariya, no distrito de Bani Hashish, a leste de Sana. Entre as vítimas mortais estarão 12 homens, oito mulheres e 13 crianças. Foram ainda registados 39 feridos, segundo a mesma fonte.
Os huthis atribuem o bombardeamento à coligação liderada pela Arábia Saudita e acusam as forças envolvidas de terem atingido habitações, estradas e equipas de socorro. As autoridades sauditas disseram estar a investigar as acusações, que não foram verificadas de forma independente.
Na sexta-feira, outro ataque na província de Taiz, no sudoeste do Iémen, provocou 30 mortos, segundo os relatos divulgados. Os huthis responsabilizaram a coligação saudita, enquanto forças do Governo iemenita reconhecido internacionalmente acusaram os rebeldes de terem lançado um míssil balístico contra o mercado atingido. Também neste caso, as versões não foram confirmadas de forma independente.
A troca de ataques insere-se no agravamento da guerra no Iémen, onde os combates entre os huthis e as forças do Governo apoiado por Riade foram retomados em Julho, após o colapso de uma trégua mediada pelas Nações Unidas em 2022. Desde então, os rebeldes têm intensificado os ataques com mísseis e drones contra aeroportos, portos e instalações petrolíferas sauditas, enquanto a Arábia Saudita realiza bombardeamentos contra posições huthis no Iémen.