Portugal ganhou mais vezes sem Ronaldo nos últimos cinco anos?
Analisámos os números que marcaram o último período de CR7 na selecção nacional
A despedida de Cristiano Ronaldo da selecção nacional não foi recebida apenas com homenagens e palavras de agradecimento. Entre as diversas reacções ao anúncio, houve também quem defendesse que Portugal poderá, finalmente, apresentar melhores resultados sem o internacional madeirense.
Uma opinião que recupera as críticas ao seu rendimento nos últimos anos, particularmente desde o Mundial de 2022, quando a sua titularidade e o rendimento do avançado começaram a ser mais questionados. Mas será que os resultados sustentam essa ideia?
Para responder à questão, o DIÁRIO analisou os jogos disputados por Portugal nos últimos cinco anos, período que corresponde à fase final da carreira internacional de Ronaldo e durante o qual se intensificou o debate sobre o seu papel na equipa.
Tal como referido anteriormente, o debate em torno do rendimento de Cristiano Ronaldo ganhou particular expressão no Mundial de 2022, disputado no Qatar. Depois de uma fase de grupos em que marcou apenas um golo, de grande penalidade, o avançado perdeu a titularidade nos oitavos-de-final, frente à Suíça.
Fernando Santos apostou em Gonçalo Ramos, que respondeu com três golos na vitória portuguesa, por 6-1. A exibição do jovem veio reforçar as opiniões de quem defendia que a selecção poderia apresentar um futebol mais eficaz sem Ronaldo no onze inicial.
Nesse mesmo jogo, o madeirense entrou em campo aos 73 minutos, pelo que esse encontro é contabilizado entre os jogos em que participou. O mesmo aconteceu na derrota frente a Marrocos, por 1-0, que ditou a eliminação de Portugal nos quartos-de-final.
23 anos de reinado entre 'guerra' e 'paz'
Os 23 anos de reinado de Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa de futebol foram repartidos entre períodos de 'paz' e 'guerra' com os vários selecionadores, acabando Jorge Jesus por levar mesmo o madeirense a abdicar do 'trono'.
Dois anos depois, no Europeu de 2024, as críticas voltaram a intensificar-se. Ronaldo foi titular nos cinco encontros disputados por Portugal, mas terminou a competição sem marcar qualquer golo. A eliminação diante da França, nos quartos-de-final, voltou a colocar em discussão a sua continuidade como principal referência ofensiva da equipa.
Apesar disso, a recta final da carreira internacional também ficou marcada por contributos decisivos. Em Junho de 2025, Ronaldo marcou o golo da vitória sobre a Alemanha, nas meias-finais da Liga das Nações, e voltou a facturar na final frente à Espanha, ajudando Portugal a conquistar o troféu no desempate por grandes penalidades.
Já em 2026, a discussão ganhou novo fôlego com as opções de Jorge Jesus. A 27 de Setembro, Ronaldo permaneceu no banco durante toda a vitória frente à Noruega, por 2-1, algo que não acontecia num jogo oficial da selecção há mais de 18 anos.
Seguiram-se os triunfos sobre a Dinamarca, por 4-2, e novamente sobre a Noruega, por 2-1, ambos sem a participação do madeirense, de 41 anos. Três vitórias consecutivas que contribuíram para alimentar a ideia de que Portugal poderia alcançar melhores resultados sem o seu histórico capitão.
Mas, afinal, o que revelam os números nos últimos cinco anos?
A análise do DIÁRIO abrange 65 partidas disputadas por Portugal entre Novembro de 2021 e Outubro de 2026, período durante o qual a selecção passou por três seleccionadores: Fernando Santos, Roberto Martínez e Jorge Jesus.
Para esta comparação, foram considerados os encontros em que Ronaldo entrou efectivamente em campo, independentemente de ter sido titular ou suplente. Já as partidas em que permaneceu no banco sem ser utilizado foram incluídas no conjunto de jogos realizados sem o avançado. Por isso, os dados permitem comparar não apenas as vitórias, os empates e as derrotas, mas também a produção ofensiva e defensiva da equipa das quinas.
Um título europeu, 12 fases finais e mais de duas décadas a 'sonhar'
Cristiano Ronaldo despediu-se da seleção portuguesa de futebol depois de 23 anos em que conquistou um Europeu, duas Liga das Nações e defendeu as cores nacionais em 12 fases finais de grandes competições, com sortes diferentes.
Feitas as contas, os números mostram que, durante este período, Portugal apresentou uma percentagem de vitórias ligeiramente superior nos encontros em que não contou com Cristiano Ronaldo.
Dos 65 jogos disputados, o internacional madeirense participou em 52, tendo a 'equipa das quinas' conquistado 34 vitórias, registado nove empates e sofrido outras tantas derrotas. O balanço traduz-se numa taxa de triunfos de 65,4%.
Nos restantes 13 encontros, realizados sem Ronaldo em campo, Portugal venceu nove vezes, empatou duas e perdeu outras duas. A percentagem de vitórias sobe, assim, para 69,2%, uma diferença de 3,8 pontos percentuais relativamente às partidas em que o avançado participou.
A comparação revela também diferenças na produção ofensiva. Com o madeirense em campo, Portugal marcou 109 golos, uma média de 2,10 tentos por encontro. Sem Ronaldo, apontou 43 golos em 13 jogos, elevando essa média para 3,31.
Contudo, há dois resultados que ajudam a explicar esta diferença: as goleadas ao Luxemburgo, por 9-0, em Setembro de 2023, e à Arménia, por 9-1, em Novembro de 2025. Ambas aconteceram sem Cristiano Ronaldo e representam, em conjunto, quase 42% dos golos marcados pela selecção na ausência do jogador durante o período analisado.
Excluindo estas duas partidas, a média ofensiva sem o antigo capitão desce para 2,27 golos por jogo, aproximando-se dos 2,10 registados com a sua presença.
Os cinco jogos mais marcantes com Portugal
Os cinco jogos mais marcantes ao serviço de Portugal do futebolista Cristiano Ronaldo, recordista mundial de internacionalizações, com 234, e golos, com 146, que hoje se despediu da seleção nacional aos 41 anos de idade:
Já no plano defensivo, a tendência é inversa. Portugal sofreu, em média, 0,75 golos por encontro com Ronaldo e um golo por partida sem ele.
Por fim, quando são considerados exclusivamente os jogos oficiais, excluindo os particulares, a vantagem sem Ronaldo mantém-se. Portugal venceu 31 dos 48 encontros em que contou com o avançado, correspondentes a 64,6%. Sem o madeirense, conquistou cinco vitórias em sete partidas, o equivalente a 71,4%.