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Cristiano Ronaldo Desporto

23 anos de reinado entre 'guerra' e 'paz'

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Os 23 anos de reinado de Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa de futebol foram repartidos entre períodos de 'paz' e 'guerra' com os vários selecionadores, acabando Jorge Jesus por levar mesmo o madeirense a abdicar do 'trono'.

Aos 41 anos, e depois de 234 jogos e 146 golos, Ronaldo despediu-se definitivamente de Portugal, após ter conquistado e criado um 'império' mundial, colocando um fim ao maior reinado de sempre do futebol nacional, algo que já era esperado, mas que aconteceu de forma abrupta depois de ter entrado em choque com o experiente técnico de 72 anos.

Com a data de 20 de agosto de 2003 a marcar nos livros de história o início do 'Ronaldoísmo', na altura, o jovem avançado de 18 anos viveu 'pacificamente' durante meia década com o brasileiro Luiz Felipe Scolari, selecionador que acabou por ser responsável pela sua ascensão no futebol internacional.

Scolari levou Portugal à final do Euro2004, às meias-finais do Mundial2006, foi responsável por subitamente varandas e janelas por todo o país, de norte a sul, passarem a ser decoradas com a bandeira de Portugal, mas também foi o técnico brasileiro que estreou Ronaldo, fez do avançado capitão, abandonando o cargo em 2008 com o madeirense no trono e com muitos anos prometedores de liderança pela frente.

O regresso de Carlos Queiroz à seleção nacional, depois de uma primeira passagem entre 1991 e 1993, tinha tudo para a 'era' Ronaldo se manter próspera e pacífica, já que os dois vinham de uma relação 'mentor e protegido' no Manchester United, mas tudo 'explodiu' em 2010, no Campeonato do Mundo da África do Sul.

Durante o torneio, a imprensa foi alertando que a relação entre Queiroz e Ronaldo estava cada vez mais 'azeda' e isso comprovou-se na eliminação de Portugal nos oitavos de final com a Espanha, com o avançado, primeiro, em pleno relvado, a mostrar a sua revolta com as decisões do treinador e, depois, a culpar o selecionador pela eliminação.

"Quer que eu explique? Fale com o Carlos Queiroz", atirou Ronaldo na altura, na Cidade do Cabo.

Semanas depois, Queiroz abandonou a equipa e Paulo Bento assumiu o cargo de selecionador, num 'casamento' que durou quatro anos e viveu momentos de 'tranquilidade', como por exemplo no Euro2012, em que Portugal chegou às meias-finais, mas que acabou também em 'crise' na sequência do Mundial2014, no Brasil.

Portugal ficou pela fase de grupos, numa das suas piores campanhas de sempre em Campeonatos do Mundo, e Cristiano Ronaldo disputou a competição com vários problemas físicos.

Paulo Bento acabaria por sair e, anos depois, assumiu publicamente que a sua relação com Ronaldo foi ficando cada vez mais difícil durante a sua passagem pela seleção e que a hierarquia entre treinador e jogador tinha sido posta em causa.

Entrou Fernando Santos, o técnico que o tinha lançado com apenas 17 anos no Sporting, e o reinado de Cristiano Ronaldo, que passou a ser apelidado constantemente de "melhor do mundo" pelo novo selecionador, viveu a sua época 'dourada'.

Foram oito anos com sucessos, com a conquista do Euro2016 e da Liga das Nações de 2019, isto numa seleção que nunca tinha conquistado qualquer título, mas também tudo acabou mal, apesar de toda a 'devoção', lealdade e proteção que Santos teve e mostrou por Ronaldo.

No Mundial2022, no Qatar, com Portugal já qualificado para os oitavos de final, Fernando Santos tirou Ronaldo do jogo frente à Coreia do Sul, na segunda parte, e o avançado foi apanhado a contestar a decisão do selecionador ainda no relvado.

"Estás com uma pressa para me tirar", disse o avançado, captado pela transmissão televisiva no momento em que percebeu que iria ser substituído.

Ronaldo negou inicialmente essa atitude, afirmando que afinal estava a abordar um jogador da Coreia do Sul, mas Fernando Santos tomou medidas e sentou o capitão no banco de suplentes até à eliminação com Marrocos nos quartos de final.

Com dois títulos, oito anos no comando e mais de 100 jogos, um recorde na seleção portuguesa, Fernando Santos deixou o cargo sem qualquer agradecimento, referência ou despedida pública de Cristiano Ronaldo.

Pouco depois de abandonar o comando de Portugal, numa entrevista a um jornal desportivo, Fernando Santos classificou Ronaldo como um filho ou um irmão mais novo, mas assumiu que o avançado nunca mais o tinha contactado após o Mundial2022.

Entrou Roberto Martínez, Ronaldo falou em "ar fresco" e o reinado viveu verdadeiramente em paz durante três anos e meio, com a conquista da Liga das Nações de 2025 pelo meio.

Mesmo a chegar aos 40 anos de idade, o estatuto e posição de Cristiano Ronaldo não só nunca foi posto em causa pelo técnico espanhol, mas foram até reforçados, com toda a equipa a funcionar à volta do seu capitão.

Isso valeu a conquista de uma segunda Liga das Nações, mas as campanhas no Euro2024 e no Mundial2026 ficaram muito longe de agradar, sendo claramente visíveis já algumas limitações do avançado, sobretudo na última daquelas competições, que decorreu nos Estados Unidos, no México e no Canadá.

Mesmo assim, e apesar das frequentes homenagens públicas ao "exemplo e ícone" Ronaldo, Martínez não se safou de um problema 'diplomático' no último Campeonato do Mundo, em Toronto, no Canadá, quando decidiu tirar o avançado do jogo com a Croácia, dos 16 avos de final.

Ronaldo mostrou o seu desagrado e frustração pela opção e, já depois de sair do relvado, apertou a mão a Martínez enquanto abanava a cabeça num movimento de negação.

Portugal acabaria por vencer por 2-1 e tudo ficou esquecido.

Após a saída de Martinez, e já com Jesus no comando, e ao seu lado numa conferência de imprensa, Ronaldo fez questão de publicamente elogiar o "excelente trabalho" do técnico espanhol.

Nesse mesmo dia, perante um longa plateia na Cidade do Futebol, em Oeiras, o capitão e Jorge Jesus, que tinham trabalhado juntos no Al Nassr, fizeram 'juras' de uma aliança a favor da seleção nacional, mas, apenas uma semana depois, em Copenhaga, em terras escandinavas, o 'Ronaldoísmo' chegou ao fim.