DNOTICIAS.PT
Artigos

Saúde mental em meio laboral

É preciso continuar a reforçar a mudança de mentalidade e tornar os pequenos movimentos, grandes mudanças

A saúde mental em meio laboral tem ainda um logo caminho a percorrer. Apesar de alguns movimentos importantes na área da prevenção e do tratamento, ainda se observa uma desvalorização da doença com desrespeito e penalização para os funcionários diagnosticados e em situação de tratamento.

Cada vez há mais empresas que nos seus objetivos anuais integram ações de formação/sensibilização na área da saúde mental e ainda, em crescendo, a criação de protocolos com unidades orientadas para a prevenção e tratamento. Contudo, muitos funcionários sentem que as iniciativas, ainda que mostrem uma tendência positiva, não revelam uma mudança efetiva de mentalidade. Há um sentimento de que o respeito pela doença física ainda não se traduz na doença mental o que intensifica a dor emocional inerente aos doentes em sofrimento.

Desvalorizar os sintomas da doença mental é reduzir o sofrimento psíquico a um qualquer mau estar ligeiro que se resolve com um fim de semana de descanso ou um atestado de uma semana. Espera-se que a recuperação seja breve e reduz-se a doença a falta de vontade de recuperar e aproveitamento do diagnóstico para ficar em casa a descansar. É esta desvalorização que magoa quem está em profundo sofrimento e potencia os sintomas adiando a recuperação.

É fundamental que as pessoas com doença mental se sintam respeitadas na sua dor e valorizadas no empenho e esforço que imprimem, tantas vezes em dificuldade, para se manterem ativas. A recuperação na doença mental exige integração, rede e suporte. É obrigação das empresas públicas e privadas crescer no conhecimento da doença mental e assumir posições claras que fechem portas à estigmatização e promovam um clima saudável de respeito e cooperação.

Funcionar em rede com a noção clara de que todos devem suportar todos é a forma possível de construir equipas coesas, empenhadas e motivadas em dar o melhor e pensar os objetivos no coletivo, com respeito pelos momentos em que uns estão mais capazes do que outros. As equipas deveriam ser estimuladas para perceber que quem fica frágil não perde capacidades e que se sentir integrado, continuando a fazer parte, vai voltar mais forte e mais seguro. A doença mental não é uma fraqueza, é uma condição que não pressupõe exclusão, mas sim pertença e integração.

É preciso continuar a reforçar a mudança de mentalidade e tornar os pequenos movimentos, grandes mudanças. Mais do que falar em saúde mental urge mudar atitudes, aprender a não ter medo de ser diferente. Ousar criar condições para promover a saúde mental é um excelente princípio, mas em paralelo há que cortar estigmas e posições que fragilizem quem tem a doença. Nada melhor na promoção da saúde mental do que integrar quem está doente no lado da saúde, acreditar e potenciar a recuperação colaborando no processo.

Tornar as equipas um lugar de crescimento, de aceitação das diferenças e de respeito pela individualidade, é sinal de evolução. A prevenção da doença mental começa na coragem de querer ser diferente, na aceitação das diferenças que existem em cada um de nós e em todos os que se cruzam no nosso caminho.

Somos corresponsáveis pelo futuro da saúde mental, para isso há que evoluir, querer mais, aprender, reforçar estratégias e orientações, ser sério na construção de novos caminhos. Mais do que trabalhar para objetivos, o que realmente importa é olhar as pessoas, estar com elas, mantê-las pertença e não desistir de ver a equipa como um todo, onde a fragilidade é apenas um momento a precisar de espaço para voltar a fortalecer.