Candidato à liderança regional avisa que “o tempo do Chega manso morreu hoje”
O deputado e candidato à liderança do Chega-Madeira Hugo Nunes prometeu, esta tarde, que vai fazer a "vida dura" ao Governo Regional do PSD, exigiu um ferry para o continente, controlo da imigração e o fim da corrupção. “O tempo do Chega manso morreu hoje, aqui, nesta sala”, anunciou.
Falando para cerca de meia centena de apoiantes presentes na apresentação da candidatura numa sala de hotel no Funchal, Hugo Nunes prometeu "resgatar" o partido e colocá-lo em oposição frontal ao Governo Regional do PSD, assumindo um tom ruptura: "Não vim para aqui para pedir licença. Não vim para paninhos quentes, nem para fazer fretes a quem destrói a nossa terra. Eu estou aqui, diante de vós, com uma determinação inabalável para resgatar o Chega e para devolver a Madeira aos madeirenses! Quem tem medo que se encoste, porque nós vamos avançar sem recuar um único milímetro”.
O candidato criticou o que classificou como "centralismo sufocante" e "tiques colonialistas de Lisboa", exigindo uma autonomia mais efectiva para a Madeira. No campo da mobilidade, reivindicou a implementação imediata das alterações ao modelo de mobilidade aérea, exigiu a criação de uma ligação marítima regular à ilha. "Escrevam o que vos digo. Connosco, vamos conseguir o ferry em breve", declarou, classificando o compromisso como "uma promessa de honra".
O candidato prometeu uma oposição "forte, musculada e sem medo" ao Governo Regional, rejeitando qualquer entendimento com o PSD. "Vamos fazer a vida dura, fustigante e difícil ao Governo Regional", afirmou, acusando o partido no poder de compadrio, amiguismo e corrupção. Deixou ainda críticas aos partidos CDS e ao JPP, classificando o primeiro como “bengala frouxa e submissa” e os representantes do segundo como “comunistas disfarçados”.
Por outro lado, criticou o que considera ser a transformação da Madeira num destino exclusivo para os mais ricos, com prejuízo para os jovens madeirenses, que vê "empurrados para a emigração". Depois defendeu um "controlo severo e implacável da imigração", argumentando que os pensionistas e trabalhadores madeirenses são prejudicados em favor de imigrantes. Apelou também ao reforço dos meios das forças de segurança.
Ao encerrar o discurso, o candidato anunciou a construção de um partido "colado às pessoas", que quer marcar presença "nas ruas, nas vilas, nas freguesias e nas serras".
Na resposta a uma questão colocada por uma jornalista, Hugo Nunes evitou comentar a actual liderança de Miguel Castro, dizendo que "o que está para trás está feito" e não pretender "falar do passado".