DNOTICIAS.PT
Mundo

Partido de extrema-direita disposto a viabilizar governo de centro-direita na Suécia

Ulf Kristersson deverá assumir, uma vez mais, o cargo de primeiro-ministro. 
Ulf Kristersson deverá assumir, uma vez mais, o cargo de primeiro-ministro. , Foto Arquivo

O partido de extrema-direita Democratas da Suécia (SD), terceira força parlamentar, anunciou hoje que renuncia integrar um hipotético governo e admitiu viabilizar um governo que permita ao atual primeiro-ministro de centro-direita, Ulf Kristersson, continuar a governar.

Embora o bloco de centro-esquerda tenha vencido as eleições legislativas de 13 de setembro, alcançando 176 assentos no parlamento (maioria absoluta), divergências entre os partidos que integram o bloco têm impedido um acordo.

O Partido da Esquerda (socialista) só apoia um governo do qual faça parte, enquanto o Partido do Centro rejeita essa opção, recusando-se simultaneamente a apoiar qualquer governo de direita que dependa do SD.

O Riksdag (Parlamento) já realizou duas votações para eleger o primeiro-ministro: uma com a social-democrata Magdalena Andersson à frente de um governo minoritário do seu partido e outra com a centrista Elisabeth Thand Ringqvist a liderar uma coligação de centro.

Nenhuma resultou na aprovação de um novo executivo.

Antes de se poder convocar eleições extraordinárias --- algo que não acontece desde 1958 ---, na Suécia são necessárias quatro votações falhadas.

Com a decisão de hoje da formação de extrema-direita, à partida, será desbloqueado o nó com a possibilidade de o centro se coligar com a direita moderada e formar governo.

O atual primeiro-ministro, nomeado há três dias para liderar uma nova ronda de negociações entre os partidos, governou na última legislatura em minoria, com o apoio externo do SD, com o qual, em abril passado, se comprometeu a inclui-lo no próximo governo, caso saísse vitorioso nas eleições, algo que não se verificou.

O líder do SD, Jimmie Akesson, anunciou hoje numa conferência de imprensa que o seu partido não tem qualquer "linha vermelha" e que estaria disposto a fazer parte de um governo de direita que incluísse ou dependesse do Partido do Centro, embora tenha considerado essa opção pouco realista devido à recusa dessa força política.

"Os Democratas da Suécia estão preparados para tolerar Ulf Kristersson num governo de centro-direita composto por quatro partidos e, posteriormente, passar para a oposição", afirmou Akesson.

O líder de extrema-direita salientou que o seu partido é uma força "pragmática" e que alguma formação política deve assumir a responsabilidade de pôr fim ao "circo" que se tem vivido nos últimos dois meses, em referência às votações mal sucedidas no Riksdag e à falta de acordos.

O líder de extrema-direita acrescentou que se sentiria "mais seguro" caso houvesse um novo governo de centro-direita em vez de centro-esquerda, porque seria menor o risco de as reformas dos últimos quatro anos em áreas como a imigração serem revogadas.

"A mensagem do SD, assumindo a sua responsabilidade, é bem-vinda e poderá, possivelmente, tornar menos difícil aquilo que era muito difícil. As conversações continuam", afirmou Kristersson num comunicado.

O atual primeiro-ministro deve agora informar na terça-feira o presidente do Riksdag, Andreas Norlén, sobre o estado das negociações.

O Partido do Centro ainda não reagiu ao anúncio do SD, embora tenha reiterado anteriormente que a sua candidata a primeira-ministra é a social-democrata Andersson e não Kristersson.

O Partido Social-Democrata (SAP) foi o mais votado nas últimas eleições, com 28% dos votos, o seu pior resultado em quase um século; seguido pelo Partido Conservador, com 19,8%, e pelo SD, que recuou três pontos e perdeu o seu estatuto de segunda força parlamentar.

A Suécia está habituada a estas longas negociações: foram necessários 37 dias para formar Governo após as eleições de 2022, e 134 dias em 2018.