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Fact Check Madeira

A greve de ontem foi a que teve menor adesão no ano?

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A greve nacional da Administração Pública de 2 de Novembro teve uma adesão de 3,4% na Educação e de 17,5% no SESARAM. São números reduzidos, sobretudo quando comparados com os registados apenas um mês antes, e que levantam uma dúvida: terá sido esta a paralisação menos participada do ano nos dois sectores? O DIÁRIO confrontou os balanços oficiais com os de greves anteriores para perceber até onde pode ir essa conclusão.

A jornada de protesto foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS), que reivindica, entre outras medidas, um cartão de refeição de 10,20 euros diários, alterações ao sistema de avaliação de desempenho e melhorias nas carreiras e na contratação de trabalhadores. A paralisação estendeu-se à Administração Pública central, regional e local, mas os dados conhecidos para a Madeira permitem analisar com maior precisão apenas algumas áreas.

Na Educação, a Secretaria Regional contabilizou 160 trabalhadores em greve num universo de 4.736 em exercício de funções: 71 no turno da manhã e 89 no da tarde. A percentagem apurada foi de 3,4%. Nenhuma escola ou serviço da tutela encerrou, embora cinco estabelecimentos tenham sofrido perturbações parciais da actividade lectiva. No SESARAM, dos 4.119 profissionais escalados, 719 aderiram. A divisão corresponde a 17,46%, arredondados para 17,5%. A instituição não especificou, no balanço divulgado, os eventuais constrangimentos provocados pela greve.

Os números contrastam com a primeira indicação nacional. Pelas 9 horas, o presidente do STTS, Mário Rui, estimou à agência Lusa uma adesão próxima dos 60% na Saúde e na Educação, incluindo continente e regiões autónomas. Era uma estimativa sindical provisória, de âmbito nacional, e não um apuramento regional definitivo. Colocar lado a lado os 60% e os 3,4% ou 17,5% como se incidissem sobre os mesmos trabalhadores criaria uma comparação enganadora.

Uma primeira referência ajuda a perceber a dimensão da descida. A 2 de Outubro, a greve na Administração Pública tinha registado 10,8% na Educação e 20,7% no SESARAM, de acordo com os respectivos balanços oficiais. Na Saúde, tinham parado 863 dos 4.163 profissionais escalados. A descida em Novembro é clara, mas não basta comparar duas datas para afirmar que se atingiu um mínimo anual.

O histórico da Educação altera o cenário. A 23 de Março, a paralisação promovida pela Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (FESINAP) mobilizou 331 trabalhadores num universo de 11.304, o equivalente a 2,9%. Em 18 de Junho, uma greve do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.) ficou pelos 1,75%.

Apesar da participação ainda mais reduzida, a jornada de Junho condicionou quatro estabelecimentos, tendo uma escola do Porto Santo encerrado durante a manhã. O episódio lembra que adesão percentual e perturbação dos serviços não são a mesma coisa. Uma taxa baixa pode ter consequências relevantes quando a ausência de determinados profissionais impede o funcionamento de uma escola.

Na Saúde, há um exemplo particularmente esclarecedor porque envolve o próprio STTS. A 4 de Maio, numa paralisação promovida por este sindicato, o SESARAM indicou uma adesão de 14,5%. A RTP Madeira noticiou que 650 dos 4.414 trabalhadores tinham aderido. A conta exacta destes dois valores aponta para cerca de 14,7%, diferença que merece registo, mas que não altera o essencial, ou seja, qualquer das percentagens fica abaixo dos 17,5% de Novembro.

Nessa greve de Maio, foram noticiados cancelamentos de cirurgias e perturbações em consultas, apesar de a adesão global ter sido inferior. Os números apresentados pelo sindicato e pela entidade pública também divergiram. Enquanto o SESARAM apontou para 14,5%, a estrutura sindical estimou uma participação próxima dos 40%, diferença que reforça a importância de identificar a origem e os critérios de cada contagem.

Existe ainda outro antecedente. Num esclarecimento divulgado em Junho, o SESARAM afirmou que a participação noutra paralisação do sector da Saúde ficara abaixo de 10%. Não apresentou nesse comunicado uma percentagem exacta, mas o limite indicado é suficiente para demonstrar que houve uma taxa mais baixa do que a agora registada.

Há, contudo, um cuidado indispensável antes de fechar a verificação. Nem todas as greves abrangeram as mesmas categorias profissionais, nem as entidades publicaram sempre dados com idênticos universos e critérios. Na Educação, existem apuramentos por turnos e outros relativos ao conjunto do dia; na Saúde, os balanços apresentados consideram os profissionais escalados.

Além disso, a adesão à greve em dois sectores não equivale à adesão de toda a Administração Pública da Madeira. Também não foi identificada uma série estatística completa que permita determinar qual a greve com menor participação de sempre na Região. O que está em análise é a comparação entre as taxas oficiais divulgadas em 2026 para a Educação e o SESARAM.

Com base nos balanços oficiais publicados em 2026, não foi a greve de 2 de Novembro a registar as menores taxas de adesão na Educação e no SESARAM. Março e Junho apresentam valores inferiores na Educação; Maio e Junho registaram percentagens mais baixas na Saúde. O que os dados permitem afirmar é que a paralisação recente teve menos participantes, proporcionalmente, do que a de 2 de Outubro.

A greve de ontem foi com menor adesão do ano?