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Manifestantes em frente do parlamento fazem apelo a greve geral

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Foto JOSÉ COELHO /LUSA

Vários dos manifestantes chamados a discursar na manifestação hoje organizada em frente ao parlamento, em Lisboa, apelaram aos milhares presentes para a realização de uma greve geral pelo direito à habitação e o aumento do custo de vida.

No discurso de muitos ativistas foi feito o apelo às confederações sindicais para a organização de uma greve geral, recolhendo o apoio entusiástico dos presentes, no protesto promovido pela plataforma Casa Para Viver e pelo movimento que organizou a Acampada de Lisboa, no Rossio.

"Greve geral para já", podia ler-se numa das centenas de cartazes junto ao palco quando André Pestana, do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP), apelou às centrais sindicais para uma paralisação global do país.

"A greve geral já está marcada na Bélgica, Espanha ou França e Portugal também tem de ir", disse o dirigente.

A CGTP admitiu esta semana convocar uma nova greve geral contra o aumento do custo de vida e em defesa dos salários, pensões, educação, proteção social e habitação, mas salientou que a decisão não deve ser tomada "de forma precipitada".

No protesto de hoje foi distribuído um panfleto com apelos à greve geral, onde se podia ler "Salários Dignos! Combustíveis mais baratos! Habitação para tod@s!".

"O aumento do custo de vida está a colocar milhares de trabalhadores, pensionistas e famílias perante dificuldades cada vez maiores", era ainda referido, considerando "urgente uma resposta coletiva, firme e abrangente, que una trabalhadores de todos os setores, do público ao privado, independentemente da sua profissão ou filiação sindical".

O panfleto é subscrito por sete sindicatos que apelam à CGTP e UGT para que seja iniciado "um processo de articulação e mobilização com vista à convocação de uma greve geral nacional".

Na manifestação, que hoje enche a rua de São Bento e junta milhares de pessoas, foram também feitos vários apelos à participação de agentes das forças de segurança, como forma de solidariedade: "És cidadão antes de ser polícia", disseram.

Nas escadarias, um forte dispositivo policial vigiava a manifestação e, de cada vez que os polícias mais perto das grades eram revezados, os manifestantes apupavam os agentes.

A manifestação ocorre no dia em que começou no parlamento a discussão na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais que aconteceram na madrugada de domingo em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.

Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial e pediram esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro.

O chefe de Estado apelou hoje ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.