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Madeira

Madeira e Açores são as que menos poupam para imprevistos

Apenas 65% dos consumidores conseguem reservar dinheiro todos os meses, enquanto 31% preferem preservar as poupanças quando têm dívidas para liquidar

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Foto: Depositphotos

Açores e Madeira apresentam também a menor proporção de pessoas que consegue reservar dinheiro mensalmente para imprevistos

Os consumidores da Madeira e dos Açores são os que menos privilegiam a preservação das poupanças quando têm a possibilidade de as utilizar para liquidar a maior parte ou a totalidade das suas dívidas. Nas duas regiões autónomas, apenas 31% dos inquiridos preferem manter o dinheiro de parte, mesmo perante compromissos financeiros por regularizar, uma proporção oito pontos percentuais abaixo da média nacional (39%).

Os dados constam do European Consumer Payment Report Portugal 2026 (ECPR), divulgado pela Intrum, que coloca as regiões autónomas no extremo oposto do Alentejo, onde 53% dos consumidores optariam por preservar as suas reservas financeiras em vez de liquidar dívidas.

A tendência também é menos expressiva no Algarve (35%) e no Norte (34%). A nível nacional, a diferença entre homens e mulheres é igualmente significativa: 48% dos primeiros preferem conservar as poupanças, contra apenas 29% das mulheres. Entre as gerações, os Boomers são os que mais valorizam a manutenção de uma reserva financeira, com 44% a assumirem essa posição.

A menor predisposição para preservar dinheiro quando existem dívidas a pagar não significa, contudo, que os consumidores das regiões autónomas tenham maior capacidade de poupança. Pelo contrário, Açores e Madeira registam igualmente o valor mais baixo do País no que respeita à constituição regular de reservas para fazer face a situações imprevistas.

Segundo o mesmo estudo, apenas 65% dos inquiridos nas duas regiões afirmam colocar dinheiro de parte todos os meses para responder a emergências, nomeadamente uma eventual perda de rendimentos. São menos sete pontos percentuais do que a média nacional (72%) e ficam também aquém da média europeia (66%).

Em Portugal, o hábito de poupar mensalmente registou uma evolução positiva de 12 pontos percentuais face a 2025, ano em que se situava nos 60%. Apesar desta melhoria, a realidade das regiões autónomas continua a revelar uma menor capacidade declarada de constituir uma almofada financeira.

Sete em cada dez portugueses confiantes perante imprevistos

A nível nacional, os indicadores de confiança financeira apresentam uma evolução favorável. Sete em cada dez portugueses (70%) consideram ter capacidade para suportar uma despesa inesperada de 400 euros sem recorrer ao crédito, quando em 2025 essa proporção era de 57%.

A confiança é, contudo, bastante desigual entre géneros. Entre os homens, 79% afirmam conseguir fazer face a uma despesa desta natureza, contra 59% das mulheres. Também a composição do agregado familiar influencia a percepção de segurança financeira: 74% dos agregados sem crianças dizem ter capacidade para suportar o encargo, percentagem que desce para 60% entre aqueles que têm crianças.

A capacidade para cumprir os compromissos mensais também melhorou. Actualmente, 79% dos consumidores portugueses acreditam conseguir pagar todas as suas contas, mais oito pontos percentuais do que em 2025. Já 80% afirmam ter condições para assegurar despesas essenciais, como alimentação e combustíveis.

Ainda assim, a poupança continua a implicar sacrifícios para uma parte significativa da população. Cerca de 65% dos portugueses dizem privilegiar a constituição de reservas financeiras, mesmo que isso signifique prescindir de bens ou experiências de que gostam. O indicador subiu dois pontos percentuais face a 2025 e supera em 16 pontos a média europeia (49%).

Para Luís Salvaterra, director-geral da Intrum Portugal, os resultados demonstram a importância da poupança como instrumento de segurança financeira, sobretudo perante despesas inesperadas. O responsável considera, porém, que o desafio passa por encontrar um equilíbrio entre a constituição de reservas e o cumprimento das obrigações financeiras, evitando que dificuldades pontuais se transformem em situações de maior vulnerabilidade.