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Assembleia popular nos Açores prepara concentração e afasta realização de acampada

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Foto Depositphotos

Cerca de 40 pessoas participaram hoje numa assembleia popular em Ponta Delgada, nos Açores, onde acertaram pormenores para uma concentração em novembro, no centro da cidade, mas excluíram a realização de uma acampada.

A assembleia popular foi convocada pelo movimento cívico Casa para Viver e decorreu nas Portas da Cidade, no centro de Ponta Delgada.

Os participantes decidiram realizar uma concentração naquele local, no dia 14 de novembro, a partir das 10:00 locais (mais uma hora em Lisboa), no âmbito dos protestos a nível nacional que estão agendados para essa data.

Segundo o porta-voz João Oliveira, os presentes deliberaram que na concentração serão exibidos cartazes com palavras de ordem e os participantes terão possibilidade de apresentar testemunhos.

O responsável acredita que o protesto a realizar em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a maior do arquipélago dos Açores, terá uma afluência "muito grande", por o problema da habitação também atingir a região.

"Nós somos uma das regiões do país também muito afetadas pelo custo de habitação e pelo custo de vida, que está cada vez mais elevado. Para nós, jovens, é quase impossível a independência [dada a] maneira como as coisas estão", afirmou João Oliveira aos jornalistas.

Questionado sobre a eventual realização de uma acampada, como tem acontecido em outros locais do país, o porta-voz da assembleia popular disse que tal hipótese "não é um tema debatido", por os participantes considerarem que "há coisas mais importantes e mais urgentes para serem debatidas". "A acampada não é, de momento, um objetivo", vincou.

Emma Agnelli, bióloga marinha, de 28 anos, que trabalha em São Miguel desde maio de 2024, contou aos jornalistas que se associou à iniciativa pelas dificuldades que tem tido em conseguir alojamento.

Desde que chegou à ilha já esteve em três casas alugadas e revelou que nunca teve um "contrato oficial" de arrendamento, situação que não encontrou em outros países onde já viveu e trabalhou.

"Num arquipélago incrível, onde se valoriza o turismo, não se está a facilitar a vida das pessoas [na questão do alojamento]", disse, admitindo que está a ponderar sair da região "por causa das dificuldades financeiras e de [não conseguir] casa".

Já Mário Abrantes, de 76 anos, aposentado, explicou que se associou à iniciativa por considerar que a crise na habitação em Portugal precisa de soluções.

"Eu estou cá, em nome dos interesses pessoais e das pessoas. E hei de estar até morrer por causa disso", disse o açoriano que tem um passado relacionado a causas de intervenção democrática.

O movimento cívico Casa para Viver já tinha realizado uma primeira assembleia popular em Ponta Delgada, no dia 21 de outubro, no Jardim Antero de Quental, também com o objetivo de preparar a ação do dia 14 de novembro.

Durante a madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

O chefe de Estado apelou, na terça-feira, ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.