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Marta Sofia transforma sementes e solo em arte viva no Jardim da Serra

Residência artística ‘Sementes’ decorre entre 2 e 5 de Novembro, na Quinta Leonor

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A Quinta Leonor, no Jardim da Serra, concelho de Câmara de Lobos, vai transformar-se, entre 2 e 5 de Novembro, num espaço de criação artística onde a terra, as sementes e os processos naturais assumem o papel de protagonistas. A iniciativa integra a residência artística 'Sementes – Solo Vivo, Memória e Metamorfose', de Marta Sofia, promovida no âmbito do Madeira Art Fest.

O projecto propõe uma ligação entre a arte contemporânea, a agroecologia e a preservação da memória agrícola regional, tendo como cenário uma quinta que funciona em regime exclusivamente biológico e que conserva, através de um germobanco de trigo, sementes antigas representativas da biodiversidade agrícola da Madeira.

Durante quatro dias, Marta Sofia irá desenvolver uma intervenção artística que utiliza o próprio solo como matéria-prima e elemento activo do processo criativo. A proposta passa pela construção de uma bio-escultura em constante transformação, recorrendo a materiais naturais existentes na propriedade, como argila, terra fértil, composto biológico e palha.

Na estrutura exterior da peça serão incorporadas sementes provenientes do germobanco de trigo da quinta. Com a passagem do tempo e a influência da luz e da humidade, estas deverão germinar, alterando progressivamente a aparência da escultura, que passará de uma estrutura terrosa para uma composição viva, marcada pelo aparecimento de vegetação.

Mais do que uma obra para contemplação, a criação pretende sensibilizar para a importância da regeneração dos solos, da agricultura biológica e da conservação das variedades agrícolas tradicionais.

"A semente é uma promessa adormecida; o solo vivo biológico é o único abraço capaz de a despertar", afirma Marta Sofia, sintetizando o conceito que orienta a residência.

A intervenção assenta numa abordagem artística de carácter efémero e circular, procurando reduzir o impacto ambiental da criação. Ao contrário das obras convencionais, a bio-escultura não será desmontada nem transportada após o festival, permanecendo na Quinta Leonor, onde continuará a transformar-se até regressar naturalmente ao solo através da decomposição.

A residência contempla ainda uma dimensão de contacto com a comunidade e com a paisagem agrícola do Jardim da Serra, promovendo uma reflexão sobre a soberania alimentar, a saúde dos solos e a necessidade de preservar os recursos naturais.

Com esta iniciativa, o Madeira Art Fest leva a criação artística para fora dos espaços expositivos tradicionais, explorando a relação entre cultura, sustentabilidade e património agrícola.

A obra ficará patente na Quinta Leonor após o término da residência, a 5 de Novembro, podendo ser visitada enquanto decorrer o seu processo natural de transformação e decomposição.