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Madeira

"Não me vendo, não me calo, não me agacho"

Deputado do JPP reage às críticas de Pedro Coelho publicadas na edição de hoje do DIÁRIO e acusa o PSD de colocar a disciplina partidária acima dos interesses da Madeira

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Filipe Sousa deixa um desafio ao deputado da bancada social-democrata para a votação das propostas de alteração ao Orçamento do Estado

O deputado do Juntos Pelo Povo (JPP) à Assembleia da República, Filipe Sousa, não perdeu tempo em responder às críticas de Pedro Coelho - publicadas na edição deste sábado do DIÁRIO - acusando os deputados do PSD eleitos pela Madeira de subordinarem a defesa dos interesses regionais às orientações partidárias de Lisboa.

Em causa estão as posições assumidas pelos deputados madeirenses na votação, na generalidade, do Orçamento do Estado para 2027, nomeadamente a abstenção do JPP, criticada pelo parlamentar social-democrata.

Pedro Coelho questionou, no artigo publicado hoje, "Afinal, quem é que está a defender a Madeira?". E Filipe Sousa não deixou a pergunta sem resposta.

A resposta é simples. Certamente não é quem é obrigado a ficar de boca fechada quando deve defender os interesses dos madeirenses, e muito menos o é quem precisa de autorização do diretório centralista do partido para defender a Madeira quando o partido é da mesma cor política. Filipe Sousa

O deputado do JPP considera que esse é um problema do PSD-Madeira e assegura que não necessita de qualquer autorização partidária para defender os interesses regionais.

“Eu não me vendo, não me calo, não me agacho e não troco os interesses dos madeirenses e porto-santenses por uma moeda. Fui eleito para representar a Madeira. Não fui eleito para representar o Governo da República, nem para cumprir ordens partidárias do poder central. Para isso já existem os deputados do PSD-M”, acrescenta.

Na resposta, Filipe Sousa acusa ainda os social-democratas de colocarem “em primeiro lugar a disciplina partidária e só depois a defesa da Madeira”, considerando esta posição contraditória com o discurso autonomista do PSD.

O parlamentar vai mais longe e questiona os resultados de décadas de representação social-democrata na Assembleia da República, criticando aquilo que classifica como um ritual anual de deslocações a Lisboa para negociar matérias que, na sua perspectiva, deveriam estar asseguradas por direito.

“Todos os anos assistimos ao mesmo ritual. Vão a Lisboa, pedem uma reunião, apresentam uma lista, regressam à Madeira e anunciam como uma grande vitória aquilo que conseguiram arrancar ao Governo da República”, critica.

E deixa outra pergunta: “O que têm andado a fazer os deputados do PSD-M se os problemas da Madeira continuam a arrastar-se em Lisboa?”

Desafio para a especialidade

Sobre a abstenção do JPP na votação, na generalidade, do Orçamento do Estado para 2027, Filipe Sousa esclarece que esta posição não representa um “cheque em branco” ao Governo da República.

O deputado remete a discussão para a especialidade, fase em que pretende apresentar propostas destinadas a responder a problemas que considera ainda sem solução.

Entre as medidas anunciadas estão o reforço do financiamento dos municípios e freguesias das Regiões Autónomas, tendo em conta a insularidade e a dupla insularidade, os apoios ao frete marítimo para reduzir o custo dos bens transportados para as ilhas e o pagamento imediato do valor subsidiado das viagens aéreas.

O JPP pretende ainda defender a recuperação de uma ligação marítima regular de passageiros e mercadorias entre a Madeira e o continente, medidas para reduzir o custo de vida e o reforço das respostas na habitação.

É precisamente neste contexto que Filipe Sousa lança um desafio directo ao deputado do PSD.

Pedro Coelho terá oportunidade de responder à sua própria pergunta. Quando estas propostas forem votadas, veremos quem está disponível para votar ao lado da Madeira e quem prefere ficar ao lado do Governo da República.

O deputado insiste que a defesa da Autonomia deve manter-se independentemente da força política que governa o País, acusando o PSD-Madeira de adoptar posições diferentes consoante a composição do Governo da República.

“Não podemos reclamar de Lisboa quando lá governa o PS e ficar de joelhos quando governa o PSD. Isso não é Autonomia. A Madeira tem de ser exigente com qualquer Governo da República”, sustenta.

A terminar, Filipe Sousa reafirma a independência política e promete manter a pressão sobre o Governo da República.

Não tenho dono político nem recebo ordens de Lisboa. O meu compromisso é com os madeirenses e porto-santenses. Não quero uma Madeira que agradece migalhas. Quero uma Madeira que exige aquilo que lhe pertence por direito. Se isso incomoda o PSD, terá de se habituar.