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Madeira

Produção vitivinícola cresce mais de 27% na Madeira

Campanha de 2026 registou 3.637 toneladas de uvas

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A produção de uvas na Madeira registou um crescimento de 27,48% em 2026, atingindo aproximadamente 3.637 toneladas, de acordo com os dados provisórios da campanha vitivinícola deste ano. O resultado representa um aumento de cerca de 784 toneladas face a 2025, quando foram contabilizadas 2.853 toneladas.

Os números foram apresentados pelo presidente do Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira (IVBAM), Tiago Freitas, durante o I Fórum da Vitivinicultura Açoriana, que decorre na ilha do Pico, sob o tema 'Vinhos Atlânticos: Identidade, Inovação e Futuro'.

Na sua intervenção, o responsável deu a conhecer a realidade do sector vitivinícola madeirense, que ocupa actualmente cerca de 400 hectares de vinha, distribuídos por aproximadamente 4.390 parcelas e envolvendo cerca de 1.650 viticultores.

Tiago Freitas destacou as particularidades da produção regional, nomeadamente o cultivo em socalcos, os solos de origem vulcânica, a rede de levadas e os métodos tradicionais de condução das videiras, a que se junta uma vindima realizada exclusivamente de forma manual.

O presidente do IVBAM sublinhou também as semelhanças entre a Madeira e os Açores, dois arquipélagos cuja actividade vitivinícola é marcada pela insularidade, pela influência do Atlântico e por condições naturais que conferem características distintas aos respectivos vinhos.

"Dois produtos que até podem ser diferentes, mas que, acima de tudo, têm uma grande identidade", afirmou, referindo-se aos vinhos produzidos nas duas regiões autónomas.

A apresentação incluiu ainda os indicadores relativos à comercialização do Vinho Madeira em 2025, ano em que foram vendidos aproximadamente 3,05 milhões de litros, correspondentes a um valor superior a 20,5 milhões de euros.

O responsável destacou igualmente a presença do Vinho Madeira em mercados nacionais, comunitários e extracomunitários, evidenciando a dimensão internacional de um dos produtos mais emblemáticos da Região.

Desafios comuns e oportunidades de cooperação

Apesar de terem áreas diferentes, a Madeira com cerca de 379 hectares de superfície vitícola, e os Açores com aproximadamente 1.200 hectares, os desafios comuns estiveram em cima da mesa neste encontro, sobretudo quando se fala dos desafios associados à insularidade, à preservação da paisagem, à sustentabilidade e à necessidade de garantir a continuidade da atividade agrícola.

"Partilhamos desafios de um sector que tem muito em comum, nomeadamente quando se fala de insularidade, mas também de qualidade", disse Tiago Freitas.

Outro ponto abordado e que o presidente do Instituto madeirense fez questão de sublinhar foi a importância de fortalecer elos e trocar experiências e conhecimentos, sobretudo científico em prol dos viticultores.

"Trabalhando juntos seremos certamente mais fortes e teremos mais conhecimento sobre o sector. Temos especificidades diferentes, mas desafios semelhantes", referiu adiantando que este Fórum é uma oportunidade para dar a conhecer a Madeira e a sua realidade e património vitivinícola

O I Fórum da Vitivinicultura Açoriana começou na quinta-feira e decorre até domingo na vila da Madalena no Pico e acolhe responsáveis e especialistas deste sector.