Caniçal vai receber mais 27 milhões para ampliar o porto
Albuquerque destaca aumento de 35% na carga e anuncia novas obras no terrapleno e no molhe principal
O Porto Comercial do Caniçal vai receber novos investimentos na ampliação do terrapleno e na reabilitação do molhe principal, num montante de 27 milhões de euros previsto no quadro do Madeira 2030. O anúncio foi feito esta manhã por Miguel Albuquerque, durante uma visita às três novas gruas da OPM, num investimento de 14 milhões de euros, que permitirá duplicar a capacidade de movimentação de carga no mesmo período.
O presidente do Governo Regional destacou a necessidade de reforçar a capacidade operacional do porto, que assegura a descarga de 95% da carga que chega à Madeira. "Temos que acompanhar o aumento exponencial da carga descarregada na Madeira nos últimos anos, que aumentou 35% entre 2020 e 2025", afirmou.
Segundo Miguel Albuquerque, o número de contentores descarregados anualmente passou de 52 mil para cerca de 72 mil, um crescimento que associou à dinâmica da economia regional. "Esta carga corresponde à dinâmica que estamos a ter na nossa economia", sustentou.
Além das três novas gruas eléctricas, que chegaram à Região em meados de Setembro, está quase concluída a obra de ampliação do terrapleno, num investimento de 10 milhões de euros. O projecto permitirá aumentar o espaço destinado às operações de carga e descarga, reduzindo as áreas ocupadas por contentores em repouso e reforçando a capacidade operacional do porto.
"Vamos ter mais espaço funcional para as operações, vamos ter menos espaços restritos e que vão ser utilizados em funções de carga e descarga", explicou o governante, que destacou também os investimentos em infra-estruturas, incluindo electricidade, gás, saneamento básico e tecnologia.
A próxima fase prevê a ampliação do terrapleno na zona nascente do porto e a reabilitação do molhe principal. Albuquerque adiantou que os trabalhos deverão avançar após a conclusão da intervenção em curso.
O governante destacou ainda a utilização de tecnologia de ponta, incluindo inteligência artificial, na monitorização dos contentores, permitindo recolher dados sobre os movimentos de carga e obter indicadores relevantes para a análise da actividade económica regional.
Questionado sobre a sustentabilidade do porto, Miguel Albuquerque afirmou que a prioridade é garantir a operacionalidade e evitar o aumento dos custos. "A primeira preocupação é não aumentar os encargos", declarou, defendendo que os ganhos de escala proporcionados pelos novos equipamentos devem traduzir-se numa maior eficiência logística e económica.
O presidente do Governo Regional abordou também o congestionamento das vias rápidas, considerando que a duplicação de algumas vias permitirá responder ao problema no futuro. Rejeitou, contudo, limitar o acesso dos madeirenses ao automóvel particular, que classificou como "um bem essencial".