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Madeira

Décio Alves põe um cérebro de mosca a aterrar no Aeroporto da Madeira

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No MadIT 2026, o investigador da UMa mostrou como a inteligência artificial já prevê o vento e as nuvens baixas no Aeroporto da Madeira e testou um "meteorologista" artificial que acertou mais do que os humanos.

O vento no Aeroporto da Madeira, o nevoeiro e um cérebro de mosca aos comandos de um avião estiveram no centro da intervenção de Décio Alves, que abriu as "Histórias com Inteligência Artificial" do MadIT – Madeira Innovation Talks 2026, hoje, no Centro de Congressos da Madeira, no Funchal. O título da apresentação resumia a ambição: "O futuro começa no Aeroporto da Madeira".

O ponto de partida é o problema mais conhecido do aeroporto madeirense: o vento.

"Somos os melhores do mundo a fazer a previsão a curto prazo do vento", afirmou o investigador. Depois do vento, a equipa passou aos nevoeiros e às nuvens baixas, que também perturbam a operação aérea. Com dados da nova geração de satélites meteorológicos europeus, criou um modelo de previsão de nuvens baixas já aplicado ao Aeroporto da Madeira. Segundo Décio Alves, é o único grupo no mundo a usar imagens de satélites de terceira geração para prever nuvens em zonas de aeroportos.

Mas a previsão "ainda passa por um meteorologista e ainda passa por um piloto". Daí a pergunta que lançou à sala: e se substituíssemos o meteorologista? Não por um robô, esclareceu com humor, numa alusão ao robô Semilha, que subia ao palco a seguir. A equipa criou um meteorologista de inteligência artificial, capaz de fazer o mesmo que o humano: afinar as previsões. Durante cerca de dois meses, no verão, o sistema trabalhou lado a lado com os meteorologistas dos 14 aeroportos portugueses, sem que estes o soubessem.

Os resultados surpreenderam. "Os humanos acertam 97% das suas previsões. É muito bom", sublinhou. O meteorologista artificial acertou 99%. A maior diferença esteve na correção dos erros: os meteorologistas humanos corrigiram apenas 11% dos seus erros, em cerca de 11 minutos, enquanto o sistema de IA corrigiu perto de 70%, em cerca de 3 minutos, mostrando-se mais atento e mais eficiente. O trabalho pode vir a dar origem a um projeto sino-português, com duas universidades chinesas, uma grande companhia aérea e a Universidade da Madeira.

Falta o último passo: pilotar o avião. Os pilotos automáticos atuais, explicou, são sistemas rígidos, baseados em regras. Em setembro, uma notícia chamou-lhe a atenção: pela primeira vez, a humanidade conseguiu digitalizar por completo um cérebro biológico, o de uma mosca-da-fruta, num trabalho em que participou a Google DeepMind. O modelo está disponível para a comunidade científica, e a equipa de Décio Alves começou de imediato a explorá-lo.

A ideia foi simples e ousada. "Vamos dar um avião à mosca", contou. Num simulador de voo do Aeroporto da Madeira, o cérebro da mosca está a aprender a aterrar um avião num dia de vento, com base numa previsão meteorológica criada pela própria equipa. No ecrã, o público podia ver os neurónios ativos em tempo real ao lado da aeronave. A demonstração ao vivo não correu como previsto, mas o investigador manteve o humor: "A mosca está em greve." Em compensação, ofereceu à plateia o simulador de voo do Aeroporto da Madeira, que qualquer pessoa pode instalar no telemóvel através de um código QR.

O MadIT – Madeira Innovation Talks é uma iniciativa da Região Madeira da Ordem dos Engenheiros que junta "contadores de histórias de inovação para partilhar e inspirar". A edição de 2026 dedica a tarde às "Histórias com Inteligência Artificial", com Décio Alves, Eliano Marques e o robô Semilha, e Adolfo Mesquita Nunes.