DNOTICIAS.PT
Madeira

Gomes acusa PSD, PS e JPP de "traírem a Madeira" na votação do Orçamento do Estado

O deputado madeirense do Chega considera que os três partidos são "farinha do mesmo saco" por terem permitido a passagem do documento à discussão na especialidade

Foto DR/CH
Foto DR/CH

O deputado do Chega (CH) eleito pela Madeira, Francisco Gomes, acusa o PSD, o PS e o JPP de terem "traído os interesses da Madeira" na votação do Orçamento do Estado para 2027, considerando que os três partidos são "farinha do mesmo saco". O parlamentar critica, em nota de imprensa, o voto favorável do PSD e as abstenções do PS e do JPP, que permitiram a passagem do documento à discussão na especialidade. O CH, recorde-se, votou contra, tal como a IL, o BE, o PCP e o Livre.

Francisco Gomes classifica a proposta como o "Orçamento do Zero", por entender que não apresenta soluções para os principais problemas estruturais da Região Autónoma da Madeira.

"O PSD votou a favor, o PS e o JPP abstiveram-se e os três deram a mão para deixar passar um Orçamento que não resolve os problemas da Madeira. Afinal, são todos farinha do mesmo saco! Quando chega a hora de defender os madeirenses, desaparecem as diferenças partidárias e ficam todos de conchinha com o PSD", afirma o deputado na Assembleia da República.

Entre as críticas ao documento, o parlamentar aponta a falta de garantias quanto à concretização do novo Modelo de Continuidade Territorial, que permitiria aos madeirenses pagar apenas o valor fixo das passagens aéreas, e a ausência de avanços para uma ligação marítima por ferry entre a Madeira e o continente.

Francisco Gomes considera igualmente insuficientes as respostas nas áreas das pescas e da agricultura, bem como no reforço das forças de segurança. Neste último domínio, destaca a situação da PSP na Madeira, que, segundo denuncia, trabalha com um défice de cerca de 150 agentes.

"É zero para a continuidade territorial, zero para o ferry, zero para os pescadores e agricultores e zero para os agentes da PSP que trabalham no limite. Montenegro apresenta um orçamento cheio de números, mas, quando procuramos respostas para a Madeira, encontramos um enorme zero", declara.

O deputado critica ainda a falta de medidas para a criação de um sistema fiscal próprio da Região e para a cedência à Madeira de património público devoluto do Estado, que poderia ser utilizado na construção de habitação a custos acessíveis.

"Zero para a autonomia fiscal, zero para aproveitar os imóveis abandonados do Estado e zero para ajudar os madeirenses que não conseguem pagar uma casa. E, perante isto, o PSD aprova, o PS abstém-se e o JPP também se abstém. É uma cumplicidade política absolutamente vergonhosa", acusa.

Francisco Gomes conclui reivindicando para o CH o papel de voz das reivindicações da Madeira na Assembleia da República e contrapõe as propostas do partido à posição assumida pelas restantes forças políticas.

"O PSD, o PS e o JPP podem andar aos abracinhos uns com os outros, mas não contem com o CHEGA para participar nesta farsa! Os três traíram a Madeira. O CHEGA é o único que está a defender verdadeiramente os interesses da Região na República e a dar voz aos madeirenses que estão fartos de ser esquecidos", conclui.