Número de mortos sobe para 30 em Espanha
O acidente ferroviário ocorrido hoje em Espanha causou pelo menos 30 mortos, disseram fontes do Governo de Catillha-La Mancha, que admitiram que o número de vítimas mortais poderá aumentar.
As mesmas fontes precisaram à agência espanhola EFE que os bombeiros que atuam no local estavam a terminar as operações de resgate dos corpos e que, até ao momento, se desconhecia o número exato de feridos.
O balanço anterior era de 10 mortos, não tendo sido ainda divulgado o número de feridos.
O acidente ocorre em plena campanha para as legislativas de 29 de novembro, e menos de um ano após uma colisão idêntica em Adamuz, na Andaluzia, que fez 46 mortos, chocando toda a Espanha.
Fontes governamentais em Madrid admitiram ao jornal El Pais que o acidente de hoje "pode ser pior que Adamuz".
Mais de 540 pessoas viajavam nos dois comboios de alta velocidade envolvidos na colisão, que ocorreu pouco antes das 09:00 locais (08:00 em Lisboa) perto da estação de Urda, na província de Toledo.
Um comboio AVE colidiu com uma composição da Iryo que se encontrava imobilizada na via, de acordo com fontes do serviço de emergências 112.
Pelo menos duas carruagens caíram por um aterro após o choque, segundo as mesmas fontes.
A circulação ferroviária entre Madrid e a Andaluzia foi interrompida e foram abertos centros de apoio aos familiares na estação de Atocha (Madrid) e em Sevilha.
Imagens transmitidas em direto pela televisão espanhola mostravam passageiros ainda em choque a puxar as suas malas ao longo de uma estrada.
A ministra da Saúde, Mónica García, explicou à televisão pública RTVE recear "uma tragédia importante", considerando que a prioridade era "retirar as pessoas o mais rapidamente possível", nomeadamente das carruagens que descarrilaram.
"Não temos informação" sobre a causa do acidente, acrescentou García, citada pela agência francesa AFP, depois de fontes governamentais terem admitido anteriormente a possibilidade de erro humano.
A Renfe, cujo comboio que fazia a ligação Madrid-Sevilha está envolvido no acidente, anunciou em comunicado que abriu um gabinete de crise para apoio às famílias das vítimas.
A empresa disse também que estava a "recolher informações para avaliar a dimensão do acidente".
Com 4.000 quilómetros de vias-férreas, a rede ferroviária de alta velocidade espanhola é a segunda maior do mundo, a seguir à da China.
A colisão de Adamuz em 18 de janeiro, também entre dois comboios de alta velocidade, reacendeu o debate em Espanha sobre a manutenção da rede ferroviária e a segurança dos passageiros, no segundo país mais visitado do mundo a nível anual.
Esse acidente, no qual um comboio da empresa privada Iryo descarrilou antes de abalroar um comboio da Renfe que circulava em sentido contrário, suscitou também duras críticas da oposição de direita e de extrema-direita contra o Governo socialista.
O executivo comprometeu-se na altura a investir 1,8 mil milhões de euros para melhorar a manutenção da rede, criar 3.650 postos de trabalho e reforçar a segurança ferroviária.