Incitamento à violência gera onda de críticas a Francisco Gomes
Deputado do Chega defendeu "carga em cima" dos manifestantes pela habitação
As declarações do deputado madeirense do Chega, Francisco Gomes, sobre as manifestações pelo direito à habitação estão a gerar uma onda de críticas nas redes sociais, depois de o parlamentar ter defendido o recurso à força contra os participantes nos protestos.
Durante o debate do Orçamento do Estado para 2027, ontem, na Assembleia da República, e dirigindo-se ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, Francisco Gomes questionou: "Senhor Primeiro-ministro, em bom português, sabe o que é que essa gente merece?". E respondeu: "Encostem-nos à parede e carga em cima deles".
Antes, o parlamentar tinha afirmado que as soluções para a crise habitacional devem ser encontradas no Parlamento e nunca em manifestações, referindo-se aos participantes como "agitadores de pacotilha", "drogados assumidos", "anarcas brasileiros" e "chiques espertos de esquerda".
As palavras motivaram uma reacção contundente de Paulo Cafôfo, líder parlamentar do PS-Madeira na Assembleia Legislativa Regional, no X. Considera que a intervenção revela a verdadeira postura política do Chega.
"Isto não é excesso de linguagem de Francisco Gomes, é a mentalidade autoritária do Chega", afirmou o socialista.
"Quem não apresenta soluções e defende bastonadas, e responde à luta por uma habitação digna com ameaças e violência, não merece representar o povo", acrescentou.
Paulo Cafôfo terminou a reacção com uma acusação directa ao partido de André Ventura: "Isto não é política, é fascismo!"