Flávio Bolsonaro voa da Argentina para o Equador após abandonar Brasil
O Governo de Buenos Aires informou que Flávio Bolsonaro partiu hoje da Argentina rumo ao Equador, três dias depois de ter sido derrotado na segunda ronda da eleição presidencial do vizinho Brasil.
O senador conservador atravessou com a família a fronteira terrestre com a Argentina, na província de Misiones (nordeste), "munido de documentos de viagem em dia, sem qualquer impedimento legal", disse a Direção Nacional de Migrações da Argentina.
Flávio Bolsonaro atravessou às 22:50 de terça-feira (01:50 de hoje em Lisboa) o posto fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga a cidade brasileira de Foz do Iguaçu à cidade argentina de Puerto Iguazú, acompanhado pela mulher e as duas filhas.
Quarenta minutos mais tarde, Flávio Bolsonaro embarcou num "voo privado fretado pela empresa Baires Fly S.A. com destino à cidade de Guayaquil, no Equador", acrescentou a mesma fonte, num comunicado publicado na rede social X.
A aeronave descolou pouco depois de Puerto Iguazú, confirmou o portal especializado FlightRadar.
Horas antes, o Ministério da Segurança da Argentina tinha negado que o filho do ex-Presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro (2019-2023) tivesse entrado no país.
A fuga de Flávio Bolsonaro ocorreu um dia depois de ter sido intimado pela Polícia Federal, por ordem do juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a entregar todos os passaportes que possui no prazo de 24 horas, e de ter sido proibido de deixar o Brasil.
A decisão de Moraes consta de um processo em que Flávio e um amigo, o advogado Willer Tomaz, são investigados por corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal, num suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e uma plataforma de apostas.
O senador da extrema-direita brasileira é ainda alvo de uma investigação do STF sobre o financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do pai, que se encontra detido por tentativa fracassada de golpe de Estado.
Na segunda-feira, um dia antes de deixar o país, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que garantiu que nunca deixaria o Brasil, e que entregaria os passaportes às autoridades policiais, incluindo um passaporte diplomático e um de cidadão italiano.
Na terça-feira, um alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano afirmou, sob condição de anonimato, que Flávio Bolsonaro e a família receberão vistos para os Estados Unidos, informação que a comunicação social brasileira já tinha confirmado.
"O Departamento de Estado irá emitir vistos a Flávio Bolsonaro e à sua família e permitir-lhes a entrada nos Estados Unidos", afirmou o responsável, citado pela agência de notícias Associated Press.
O Presidente norte-americano Donald Trump, que deu apoio expresso a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, também foi interrogado e garantiu que concederia vistos ao senador brasileiro e à sua família.
"Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles", afirmou Trump aos jornalistas.
A possibilidade de Flávio sair do Brasil caso perdesse as eleições já tinha sido anunciada pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, atualmente foragido da Justiça brasileira, e a residir nos Estados Unidos desde 2025.