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Mais de 1,5 milhões de muçulmanos iniciam peregrinação do Hajj em Meca

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Foto ShutterStock

Cerca de 1,5 milhões de muçulmanos iniciaram ontem o Hajj, a principal peregrinação islâmica a Meca, num contexto marcado pelos esforços diplomáticos para alcançar uma solução duradoura para o conflito no Médio Oriente.

Sob temperaturas que atingiram os 45 graus Celsius, os peregrinos reunidos na cidade sagrada do Islão realizaram o ritual do "tawaf", circundando a Caaba, a estrutura cúbica negra situada no centro da Grande Mesquita para a qual os muçulmanos de todo o mundo se voltam durante as orações.

Vestidos maioritariamente de branco, os fiéis seguiram depois para Mina, uma vasta área de tendas nos arredores de Meca, enquanto as autoridades sauditas apelavam ao uso de guarda-chuvas e à limitação da exposição solar para prevenir casos de insolação.

O início da peregrinação coincide este ano com a intensificação das negociações entre os Estados Unidos e o Irão para tentar pôr fim ao conflito regional que afetou vários países do Golfo nas últimas semanas, após ataques com drones e mísseis iranianos em resposta ao ataque israelo-americano de 28 de fevereiro contra Teerão.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu hoje que os países de maioria muçulmana, incluindo a Arábia Saudita, devem normalizar relações com Israel no âmbito de um eventual acordo de paz regional.

Apesar do contexto geopolítico, Riade procura manter a dimensão política afastada da peregrinação, que continua a atrair milhares de peregrinos iranianos.

As autoridades sauditas indicaram que o número de participantes ultrapassa o registado no ano passado, apesar da instabilidade regional.

O Ministério da Defesa saudita anunciou ter colocado as forças de defesa aérea em alerta máximo para proteger o espaço aéreo em torno dos locais sagrados.

"As forças de defesa aérea têm a missão de proteger o espaço aéreo sobre os locais sagrados e neutralizar qualquer ameaça aérea, garantindo a segurança e a tranquilidade dos peregrinos", afirmou o Ministério nas redes sociais.

Entre os peregrinos, muitos expressaram esperança num regresso à estabilidade regional.

"O conflito no Irão afetou todo o mundo. Ninguém quer guerras", afirmou Mohammed Chahada, um peregrino egípcio na casa dos 50 anos, à saída da Grande Mesquita.

O Hajj, um dos cinco pilares do Islão, deve ser realizado pelo menos uma vez na vida por todos os muçulmanos que tenham condições físicas e financeiras para o fazer.

A peregrinação decorre ao longo de vários dias através de uma série de rituais codificados em Meca e nos seus arredores.

Na quinta-feira, os peregrinos deverão deslocar-se ao Monte Arafat, considerado o ponto central do Hajj e local onde, segundo a tradição islâmica, o profeta Maomé proferiu o seu último sermão.

A Arábia Saudita arrecada anualmente milhares de milhões de euros com o Hajj e com a Umrah, a peregrinação de menor dimensão realizada noutras épocas do ano.