Bombardeamentos israelitas no sul e leste do Líbano fazem pelo menos 15 mortos
O exército israelita anunciou hoje ataques a alvos do movimento islamita Hezbollah em várias zonas do Líbano, incluindo o Vale do Bekaa (leste), enquanto os media locais deram conta de 15 mortos em ataques no sul do país.
De acordo com a agência de notícias estatal libanesa, NNA, os ataques israelitas no sul atingiram dois carros e uma mota perto da cidade de Jarmaq, especificamente em estradas que ligam a cidade a Kfar Raman e Jardali.
Outras três pessoas morreram e várias ficaram feridas num ataque aéreo contra um edifício em Al Dueir e durante a tarde quatro pessoas morreram e três ficaram feridas num ataque aéreo israelita ao cemitério de Kafar Reman, segundo a mesma fonte.
As forças israelitas, adianta, bombardearam Kafar, no distrito de Bint Yebeil, destruíram um edifício comercial na estrada Habush-Nabatiye tendo ainda realizado intensos bombardeamentos nas cidades de Frun, Hadatha, Tulén, Safad al-Batij, Al-Yamiya, Aita al-Jabal e Haris.
O porta-voz do exército israelita em árabe, Avichai Adrai, emitiu esta manhã ordens de evacuação para dez cidades do sul do Líbano --- Kfar Raman, Nabatiye al-Tahta, Al-Luiza, Sajd, Ain Qana, Haruf, Zibdin, Al-Dauir, Adshit al-Shaqif e Majdun --- em antecipação de bombardeamentos contra alegados membros do movimento islamita Hezbollah, aliado do Irão.
"Considerando as violações do acordo de cessar-fogo por parte do grupo terrorista Hezbollah, o exército vê-se obrigado a agir com firmeza contra ele", afirmou Adrai.
"Qualquer pessoa próxima de elementos do Hezbollah, das suas instalações e equipamentos de combate está a colocar a sua vida em risco", concluiu.
O exército reportou posteriormente uma onda de ataques aéreos contra alvos do Hezbollah em Tiro e noutras zonas do sul, em retaliação pelos recentes ataques com 'drones' realizados pela milícia xiita libanesa.
As últimas hostilidades em grande escala eclodiram a 02 de março, quando o Hezbollah lançou 'rockets' contra Israel em resposta ao assassinato do Líder Supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, na ofensiva lançada a 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra o país asiático.
As forças israelitas desencadearam desde então uma nova ofensiva em grande escala e uma invasão terrestre do Líbano, com quase 3.200 mortes, de acordo com as autoridades locais.
As partes tinham acordado um cessar-fogo em novembro de 2024, após treze meses de combates que se seguiram aos ataques de 07 de outubro de 2023 do movimento pró-iraniano Hamas contra Israel.
Desde então, as duas partes têm continuado a trocar ataques e Israel manteve uma presença militar em vários locais, alegando estar a agir contra o Hezbollah, apesar de protestos do governo libanês contra estas ações.
Também hoje, as forças israelitas anunciaram ataques ao Vale do Bekaa (leste), uma das áreas menos afetadas desde o cessar-fogo entre Israel e a milícia xiita libanesa Hezbollah.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, respondeu a uma publicação no X da Presidência libanesa, afirmando que as "atividades" de Israel no sul do Líbano visam apenas proteger os seus cidadãos dos ataques do Hezbollah e desmantelar o reinado de terror do grupo na região.
"Este é o resultado do completo incumprimento dos compromissos do Governo libanês", conclui a publicação de Saar.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou hoje o aumento da intensidade da ofensiva militar no Líbano contra o grupo xiita Hezbollah, numa fase em que Estados Unidos tentam concluir um acordo de paz entre os dois países.
"Não estamos a abrandar o ritmo. Pelo contrário, pedi aceleração", declarou o chefe do Governo numa declaração em vídeo nas redes sociais, na qual acrescentou: "Intensificaremos os ataques, aumentaremos a sua potência e esmagaremos o Hezbollah".
Antes, dois ministros de extrema-direita do Governo israelita defenderam a intensificação da guerra no Líbano, numa fase em que os Estados Unidos procuram finalizar um acordo de paz entre Israel e as autoridades de Beirute.
Em comunicado, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, instou Benjamin Netanyahu a retomar "uma guerra em grande escala" contra o Líbano, além de cortar o fornecimento de eletricidade no país vizinho.
O ministro das Finanças, o ultrarradical nacionalista Bezalel Smotrich, outra figura de relevo da extrema-direita israelita, afirmou pelo seu lado que, por cada drone disparado pelo grupo xiita libanês Hezbollah contra Israel, "deverão cair dez edifícios em Beirute".