Perícia ao NRP Mondego confirma falhas apontadas por militares que recusaram missão
Os peritos consideram que o navio apresentava um “estado generalizado de degradação estrutural e funcional, com impacto directo na segurança”, de acordo com a notícia do Correio da Manhã
Uma perícia técnica ao NRP Mondego concluiu que a embarcação apresentava falhas que comprometiam “gravemente a segurança e a operacionalidade”, confirmando os argumentos apresentados pelos 13 militares que, em março de 2023, recusaram embarcar numa missão de acompanhamento a um navio russo ao largo do Porto Santo, avança o Correio da Manhã.
De acordo com a notícia, o relatório foi elaborado pela empresa Navaltik, a pedido do Tribunal Central de Instrução Criminal, onde decorre a fase de instrução do processo relacionado com o caso.
O navio, diz o relatório, acumulava várias deficiências técnicas, entre as quais um dos motores inoperacional, excesso de horas de manutenção nos dois motores, alagamentos em compartimentos inferiores, falhas no sistema eléctrico, problemas no sistema de combate a incêndios e danos estruturais no casco. O documento refere ainda que apenas um radar de navegação estava operacional. Os peritos consideram que o navio apresentava um “estado generalizado de degradação estrutural e funcional, com impacto direto na segurança”.
A recusa dos 13 militares em embarcar ocorreu a 11 de Março de 2023 e levou à instauração de processos disciplinares e a uma acusação do Ministério Público por alegados crimes de desobediência e insubordinação. Na altura, a Marinha Portuguesa era liderada pelo então Chefe do Estado-Maior da Armada, Henrique Gouveia e Melo, que afirmou publicamente que a Marinha não enviava navios para o mar quando estes representavam riscos para as tripulações.
Em fevereiro deste ano, os 13 militares foram formalmente acusados do crime de insubordinação por desobediência, relacionado com o incumprimento da missão atribuída.