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ANC com o pior resultado da sua história nas eleições locais na África do Sul

FOTO KIM LUDBROOK/EPA
FOTO KIM LUDBROOK/EPA

O ANC, partido que domina a política sul-africana desde o fim do apartheid, obteve 30,76% dos votos nas eleições autárquicas, o pior resultado eleitoral da sua história, de acordo com resultados definitivos anunciados hoje pela comissão eleitoral.

Uma vez que nenhum partido obteve a maioria absoluta em muitos municípios, estes resultados abrem caminho para negociações com vista à formação de coligações à frente de várias grandes cidades.

A Aliança Democrática (DA, na sigla em inglês), formação liberal que é a principal rival do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) e o seu principal parceiro num Governo de unidade nacional, ficou em segundo lugar e obteve cerca de um quarto dos votos (24,67%).

Este resultado marca um recuo histórico para o ANC, o partido de Nelson Mandela (1918-2013), figura emblemática da luta contra o regime segregacionista do apartheid, que tinha conquistado quase dois terços dos votos nas primeiras eleições democráticas na África do Sul, em 1994.

Embora continue a ser o maior partido, o seu apoio tem vindo a desmoronar-se, num país onde o desemprego ultrapassa os 34% --- uma das taxas mais elevadas do mundo --- e onde os escândalos de criminalidade e corrupção não param de se suceder no seio do ANC.

A escassez de água, os cortes de eletricidade e a má qualidade dos serviços públicos figuravam entre as principais questões em jogo nas eleições autárquicas realizadas na quarta-feira.

"Onde falhámos, o nosso movimento não o nega. Houve comunidades que ficaram sem água. O lixo não foi recolhido. As estradas não foram mantidas", reconheceu o secretário-geral do ANC, Fikile Mbalula, qualificando os resultados como "catastróficos".

"Fomos avaliados, e nos casos em que se verificou que não estávamos à altura, não nos atrevemos a contestar essa avaliação", disse, em declarações aos jornalistas.

Mais de metade dos 213 conselhos municipais da África do Sul não têm maioria absoluta, o que obriga os partidos a encetarem negociações potencialmente delicadas para formarem coligações.

As coligações anteriores foram frequentemente minadas por disputas internas e alianças instáveis, paralisando as administrações locais e levando à negligência dos serviços básicos.

O calendário que se avizinha é apertado, uma vez que a lei obriga os conselhos recém-eleitos a realizarem a sua primeira reunião no prazo de 14 dias após a proclamação oficial dos resultados. Durante essa reunião, os vereadores devem eleger os presidentes de câmara e outros titulares de cargos oficiais.

Todas as grandes cidades da África do Sul, com exceção de uma, terão de encetar negociações de coligação, uma vez que a DA obteve a única maioria absoluta na Cidade do Cabo (sudoeste).

A DA também lidera em Joanesburgo (nordeste), a capital económica, onde apresentou Helen Zille, uma política experiente de 75 anos apelidada de "Gogo" (Avó), uma crítica de longa data do ANC que iniciou a sua carreira na Cidade do Cabo.

O partido de centro-direita ActionSA, fundado pelo antigo presidente da câmara de Joanesburgo Herman Mashaba após uma cisão da DA, ficou em quinto lugar a nível nacional, mas poderá deter a chave para as maiorias nas grandes metrópoles, nomeadamente em Tshwane, onde se situa a capital, Pretória.