Montenegro promete parceria "leal e exigente" com Lufthansa e interesse em prosseguir privatização
O primeiro-ministro afirmou hoje que o Estado português será "um parceiro leal e exigente" na relação com a Lufthansa na TAP e reiterou o interesse na privatização total, que classificou como "salvaguarda dos interesses do país".
Luís Montenegro presidiu à cerimónia de assinatura de venda de parte da capital da TAP ao grupo Lufthansa, que contou com a presença do ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
"Quero dizer a todos, e quero dizer à Lufthansa, quero dizer à administração da TAP, à Comissão Executiva: nós seremos, todos nós, cada um à escala das suas responsabilidades, um parceiro leal e um parceiro exigente", assegurou.
Depois da intervenção do presidente do Conselho Executivo da Lufthansa Group, Carsten Spohr, o chefe do Governo manifestou o seu otimismo no processo e disse esperar fazer daqui a alguns anos "um balanço muito positivo" desta privatização.
Apesar de hoje apenas ter sido assinado o acordo com vista à venda de até 49,9% do capital da companhia aérea, o primeiro-ministro reiterou que é convicção deste Governo que a abertura de uma segunda fase -- com vista à privatização total -- "abrirá também uma nova oportunidade para que o retorno económico, financeiro e social e, portanto, estratégico, possa ser ainda mais exponenciado".
"Vamos, por isso, da nossa parte, dar seguimento a esse objetivo, que não é aquilo que nos trouxe aqui hoje, mas é a salvaguarda do interesse do país para o futuro", disse.
Na sua intervenção, Montenegro contou que, um dia depois do anúncio da escolha da Lufthansa para a venda parcial da TAP, participou num Conselho Europeu, em que foi "muito felicitado" pela dimensão e pelo conteúdo das propostas finalistas neste processo de privatização.
"Muitos dos meus colegas chefes de governo e chefes de Estado me felicitaram pelo valor que tinha sido pré-anunciado na véspera relativamente ao desfecho deste procedimento. E eu tive a ocasião de lhes explicar que o valor não era exagerado", frisou.
O Governo selecionou, em 14 de outubro, a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
O primeiro-ministro defendeu que este foi "um valor justo" sobretudo devido ao processo de reestruturação e de gestão especialmente competentes" dos últimos "dois, três anos" da companhia.
"O Governo não colocou, neste processo, os interesses financeiros à frente dos outros. Mas não desconhecemos o trauma que a sociedade portuguesa tem com as sucessivas injeções de capital nesta companhia, sem que os seus problemas estruturais e a sua sustentabilidade de médio e longo prazo fossem garantidos", disse, num recado para os anteriores governos do PS.
Montenegro assegurou ainda que o Governo não teve "nenhum capricho ideológico, nenhum capricho político" neste processo de privatização parcial.
"Nós estamos aqui mesmo a pensar no interesse do país. Nós estamos aqui a pensar que esta companhia tem muito mais para dar no futuro do que aquilo - que é muito - que já deu até hoje", afirmou.