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Infecções pelo vírus do Nilo Ocidental podem estar a passar despercebidas

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Foto Depositphotos

O Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) alertou hoje para a "elevada probabilidade" de infeções humanas pelo vírus do Nilo Ocidental estarem a passar despercebidas, perante a disseminação dos mosquitos transmissores pelo país.

"A circulação documentada de mosquitos portadores do vírus, a existência de animais infetados no país e o elevado número de casos registados no sul da Europa, particularmente em Espanha, justificam maior atenção dos profissionais de saúde e das autoridades para a possibilidade deste subdiagnóstico", salientou o CPSA em comunicado.

De acordo com esta rede colaborativa de organizações ligadas à saúde, Portugal não consta entre os países com casos humanos notificados no último relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), apesar de ter registado quatro focos em equídeos este ano.

O CPSA salientou que, desde o início da época de transmissão de 2026 e até 29 de outubro, foram notificados 2.009 casos humanos de infeção adquirida localmente em 20 países europeus, quase o dobro dos casos registados em 2025.

O comunicado recorre ao relatório do ECDC para alertar que, este ano, Itália já reportou 780 casos, a Grécia 463, a França 180 e Espanha 149, principalmente, na Estremadura e na Andaluzia, junto à fronteira com Portugal.

Dados divulgados em setembro indicaram que a Itália registou 51 mortes pelo vírus do Nilo Ocidental e 657 casos confirmados, números que superam os do mesmo período do ano passado.

Em julho, Espanha decretou estado de alerta para os municípios de La Puebla del Río e Coria del Río, na região da Andaluzia, depois de terem sido detetados mosquitos portadores do vírus.

De acordo com Conselho Português para a Saúde e Ambiente, que tem como um dos objetivos minimizar o impacto das alterações ambientais na saúde, o principal reservatório deste vírus são as aves migratórias e a infeção é transmitida às pessoas pela picada de mosquitos infetados, sobretudo, do género Culex.

As várias espécies deste género transmissoras deste vírus estão "amplamente distribuídas em Portugal", tendo representado mais de 45% da amostra de 9.502 mosquitos adultos capturados em 2025 pelas equipas do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), segundo o relatório da Rede Nacional de Vigilância de Vetores (REVIVE), adiantou o CPSA.

Segundo referiu, apesar de a grande maioria das pessoas infetadas não apresentar sintomas, aproximadamente 20% desenvolvem doença febril, com manifestações como dores de cabeça e musculares, cansaço, náuseas ou vómitos, que podem confundir-se com as de outras infeções virais.

"No entanto, cerca de 5% desenvolve complicações neurológicas que podem ser graves, tais como meningites, encefalites ou paralisia flácida aguda", adiantou o CPSA, realçando que o risco de formas graves é maior nas pessoas mais velhas e nas imunodeprimidas.

O conselho recomendou por isso o reforço da formação e da sensibilização dos profissionais de saúde para considerar esta infeção perante síndromes febris sem causa esclarecida e quadros de meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda, de acordo com a exposição e o contexto epidemiológico.

Defendeu ainda a necessidade de garantir o acesso atempado ao diagnóstico laboratorial em todo o país, aconselhando a confirmação dos resultados por técnicas RNA, particularmente na urina, onde o vírus é detetável duas a três semanas após o início da infeção.

Outra das recomendações passa por reforçar a vigilância e o controlo dos mosquitos, assim como pela informação da população sobre a proteção contra picadas, sobretudo ao entardecer e durante a noite, e a eliminação de águas paradas que favoreçam a sua reprodução.

Criado em 2022, o CPSA reúne mais de 115 associados, como associações de saúde, ordens profissionais, sociedades científicas, instituições académicas, laboratórios farmacêuticos, institutos de investigação, unidades locais de saúde, associações de doentes e municípios, entre outros.