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Turismo Madeira

Cruzeiro de volta ao mundo suspende operação e pode já não passar pelo Porto Santo e Madeira

Viagem do 'Villa Vie Odyssey' que já dura há mais de dois anos parou no Camboja devido ao custo dos combustíveis e coloca sob incerteza as escalas que iam acontecer em Novembro do próximo ano

Fotos DR
Fotos DR

O navio residencial está atracado, depois de a empresa norte-americana ter suspendido a operação por causa da escalada recente dos custos dos combustíveis, com a viagem que devia durar três anos e paragens por portos de todo o mundo e todos os continentes. Crise financeira da operadora levanta dúvidas sobre a concretização dessas escalas.

O cruzeiro de volta ao mundo da 'Villa Vie Odissey', que tinha entre os destinos programados a Madeira e o Porto Santo, dentrod e pouco mais de um ano, enfrenta agora um futuro incerto, depois de a empresa ter suspendido a viagem no Camboja devido ao aumento dos custos com combustíveis. A interrupção, anunciada a 27 de Outubro, obrigou mais de 200 residentes a abandonar temporariamente o navio, sem uma data definida para a retoma do itinerário.

O caso ganhou dimensão internacional esta semana, depois de a operadora norte-americana Vila Vie Residences ter reconhecido que o agravamento das despesas operacionais tornou insustentável o actual modelo de funcionamento do 'Villa Vie Odyssey'.

Custos do combustível quadruplicam

De acordo com a informação divulgada pela própria Villa Vie Residences, os custos mensais com combustível, calculados por cabine, passaram de uma média histórica de 1.800 dólares para valores estimados entre 6.000 e 8.000 dólares em algumas regiões da Ásia. Trata-se de um agravamento que a empresa relaciona com a guerra no Irão e a consequente subida dos preços da energia.

A operadora diz ter tentado reduzir o consumo, nomeadamente através da diminuição da velocidade de navegação e do prolongamento das estadias nos portos. As medidas não foram suficientes para compensar o aumento das despesas.

A 27 de Outubro, a empresa anunciou a suspensão das operações no Camboja e confirmou que está a estudar alternativas de reestruturação financeira e de recapitalização. O processo deverá decorrer durante os próximos 60 dias, mas a própria companhia reconhece que não existe qualquer financiamento ou acordo fechado e que não está garantido um desfecho favorável.

O 'Villa Vie Odyssey' encontrava-se no porto de Sihanoukville, no Camboja. Segundo a Reuters, estavam a bordo 203 passageiros e 156 tripulantes. O navio tem capacidade para acolher até 650 residentes, que compram ou alugam cabines para viver permanentemente a bordo, acompanhando a viagem à volta do mundo.

A situação obrigou os residentes a procurar alojamento temporário em terra. O capitão confirmou que a escassez de combustível levou inclusivamente ao encerramento de um gerador, de um sistema de refrigeração e de iluminação considerada não essencial. A partida do Camboja está prevista para este sábado, 31 de Outubro, depois de uma operação de reabastecimento, mas isso não significa que o cruzeiro tenha condições para retomar normalmente o itinerário.

Madeira numa rota que já está sujeita a alterações

A eventual passagem pelo arquipélago da Madeira merece atenção porque a empresa tem vindo a divulgar diferentes versões do itinerário do 'Villa Vie Odyssey'. Aliás a escala do navio não está na lista da APRAM. O ex-'Braemar' tem tido, ao longo da sua longa carreira (foi lançado ao mar em 1991), várias outras denominações: 'Crown Dynasty', 'Cunard Crown Dynasty', 'Crown Majesty' e 'Norwegian Dynasty'. 

Na programação anteriormente divulgada (e ainda online) pela operadora, estavam previstas escalas no Porto Santo, a 9 e 10 de Novembro de 2027, e no Funchal, a 11 e 12 do mesmo mês. Essa passagem representava uma oportunidade para receber na Região um navio com uma característica pouco habitual: transporta residentes que fazem do cruzeiro a sua casa e não apenas turistas em férias.

Contudo, há uma alteração importante a assinalar. Na página oficial de destinos, actualizada a 20 de Outubro de 2026, a Villa Vie apresenta um itinerário confirmado apenas até 9 de Novembro de 2027, que já não inclui as escalas madeirenses. A Madeira surge agora numa segunda circum-navegação, ainda preliminar, com uma passagem pelo Funchal prevista entre Outubro de 2028 e Janeiro de 2029. O Porto Santo não aparece identificado nessa programação actualizada.

Esta diferença entre a programação anteriormente anunciada e a versão actualmente publicada pela empresa é relevante. Significa que, mesmo antes da suspensão no Camboja, as escalas inicialmente apontadas para Novembro de 2027 já não constavam do itinerário oficial mais recente.

A crise financeira vem agora acrescentar um factor de incerteza. Se a empresa não conseguir assegurar financiamento e recuperar a capacidade operacional, poderá ter de rever novamente os destinos, as datas e a própria continuidade da viagem.

O 'Villa Vie Odyssey' iniciou a sua viagem em 2024 - passou pelo Funchal a 14 de Setembro desse ano vindo de Lisboa, rumo aos Açores - e apresenta o projecto como uma experiência de residência permanente no mar, com passagem pelos cinco continentes,  147 países, mais de 425 portos/destinos, mais de 100 ilhas, ao longo de 3 anos e meio. A empresa tem agora pela frente um processo de reestruturação que poderá determinar o futuro do navio e dos residentes.

Perante este cenário de incerteza, a escala no Funchal não está actualmente garantida e a passagem pelo Porto Santo também não consta do itinerário oficial mais recente, mas o certo é que não existe, até ao momento, um anúncio de cancelamento específico dessas e de outras escalas. O que está em causa é a própria viabilidade da operação e a possibilidade de a empresa conseguir retomar o percurso inicialmente anunciado.