JPP reafirma oposição à construção do teleférico do Curral das Freiras na Madeira
O JPP reafirmou hoje a sua oposição à construção de um sistema de teleféricos na freguesia do Curral das Freiras, em Câmara de Lobos, considerando que a obra levanta dúvidas financeiras e relativas ao impacto ambiental da infraestrutura.
"O JPP não é contra o investimento nem contra o desenvolvimento do Curral das Freiras e do Jardim da Serra. Somos contra a utilização do nosso património natural em negócios que, no nosso ponto de vista, não justificam o interesse público e acarretam graves prejuízos financeiros e ambientais para a região", afirma o partido, em comunicado.
A posição do JPP surge depois de os promotores do projeto terem anunciado que a construção do projeto Madeira Skypark, que inclui o teleférico mais alto do mundo, arranca hoje.
"A fase de construção começa hoje, após aprofundamento de estudos geológicos e ambientais para garantir os mais altos padrões de segurança e sustentabilidade", dizem, numa nota enviada à agência Lusa.
O JPP, liderado por Élvio Sousa, "reafirma a sua oposição frontal à concretização deste empreendimento e exige que o Governo Regional esclareça integralmente as condições financeiras da concessão e responda às objeções ambientais apresentadas".
No plano financeiro, o JPP assinala que foi celebrado um contrato de concessão por 50 anos, renovável por mais 10, com uma renda fixa inicial "de apenas dois mil euros mensais", o que, segundo as suas contas, poderá "representar uma perda de receitas públicas próxima dos 24 milhões de euros ao longo da concessão".
"A estas dúvidas juntam-se os encargos públicos com a aquisição de terrenos, estudos e eventuais infraestruturas complementares, cujo custo global continua por esclarecer", acrescenta.
Relativamente ao impacto ambiental, o JPP considera que a intervenção vai "alterar profundamente uma das paisagens mais emblemáticas da Madeira, afetando áreas ambientalmente sensíveis, integradas na Rede Natura 2000, com habitats e espécies protegidas", nomeadamente a freira-da-madeira.
"A Madeira não pode continuar a sacrificar aquilo que tem de mais valioso em nome de projetos turísticos que deixam marcas irreversíveis na paisagem e na biodiversidade", reforça o partido, o maior da oposição no parlamento regional, onde PSD e CDS-PP têm maioria através de uma coligação.
O projeto Madeira Skypark, que representa um investimento de 48,5 milhões de euros e tem abertura prevista ao público em 2028, terá um teleférico "com a maior altura do mundo (desde o solo), com 706 metros de altura do vão ao solo e um dos mais extensos em vão suspenso", indicam os promotores.
O presidente do conselho de administração, Nuno Freitas, citado no comunicado, afirma que o projeto ambiciona tornar-se "um novo ícone turístico regional, com atratividade durante todo o ano e potencial para captar visitantes nacionais e internacionais, contribuindo para diversificar a oferta e distribuir os fluxos turísticos pelo território, valorizando o interior da ilha".
O projeto turístico privado, desenvolvido no âmbito de uma concessão pública, está localizado entre o Curral das Freiras e o Jardim da Serra, vai criar 50 novos postos de trabalho diretos na fase de operação, prevendo-se que atraia 200 mil visitantes anuais e de gerar 400 milhões de euros em receitas públicas.
Está prevista a construção de um sistema de teleféricos, um parque de aventura, um centro de interpretação da natureza, um slide, além das infraestruturas de apoio e comércio local.
O projeto do Madeira SkyPark surgiu em 2021, gerou polémica, manifestações e petições contra a sua concretização, nomeadamente da associação ambientalista Quercurs e partidos políticos, tendo o Governo Regional autorizado em novembro de 2022 a abertura de concurso público para a sua concessão.
Em 2024, a concessionária apresentou à população da localidade os detalhes do projeto e, em abril deste ano, o município de Câmara de Lobos aprovou o licenciamento.