Presidente de um banco na Sérvia detido por desviar mais de 380 milhões de euros
A polícia sérvia deteve hoje o presidente de um banco, alegadamente próximo do Governo cessante, suspeito de ter retirado dos cofres da instituição o equivalente a mais de 380 milhões de euros, após as eleições legislativas.
O Ministério Público sérvio responsável pelo crime organizado indicou num comunicado que três responsáveis do banco Alta Banka tinham sido detidos no âmbito deste caso, entre os quais D.M., identificado pela imprensa local como Davor Macura, proprietário e diretor da instituição.
Segundo a imprensa sérvia, Macura mantinha relações próximas com o governo cessante sérvio liderado pelo ex-presidente ultranacionalista Aleksandar Vucic, que foi derrotado por larga margem nas eleições legislativas antecipadas de 25 de outubro por uma lista criada por um movimento estudantil, a Lista dos Estudantes.
O Banco Nacional da Sérvia (NBS) retirou no sábado a licença ao Alta Banka "para manter os ativos do banco sob supervisão", "proteger os interesses dos depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro".
Dois dias antes, o presidente do Partido Democrático (DS, oposição), Srdjan Milivojevic, tinha declarado aos meios de comunicação social ter apresentado uma queixa criminal após ter "obtido informações" sobre a "preparação de uma decisão" por parte do NBS com o objetivo de autorizar a transferência de "50 milhões de euros" pelo Alta Banka para um "banco correspondente no estrangeiro".
"D.M. é suspeito (...) de abuso de poder por parte de um responsável" numa empresa, enquanto as outras duas pessoas detidas são suspeitas de o terem ajudado, precisou o Ministério Público sérvio no comunicado.
Davor Macura é suspeito de ter retirado "cerca de 45 mil milhões de dinares" (cerca de 383 milhões de euros ao câmbio atual) durante múltiplas "entradas ilegais" no cofre do banco, nos dias que antecederam 31 de outubro, segundo a mesma fonte.
Estas detenções foram precedidas por buscas realizadas pelos investigadores no sábado e no domingo nas instalações do banco e na residência do principal suspeito.
Os três suspeitos foram colocados em prisão preventiva por um período máximo de 48 horas e serão interrogados pelos procuradores.
O NBS iniciou um processo de falência do Banco Alta, confiando a sua gestão à Agência de Garantia de Depósitos.
O banco nacional assegurou hoje, num comunicado, que o setor bancário local permanecia estável e que os depósitos de todos os clientes lhes seriam pagos até ao limite de 50.000 euros, garantidos pela legislação.
O NBS "dispõe de todos os mecanismos institucionais, financeiros e regulatórios necessários para preservar a sua estabilidade", continuou no comunicado.
Com cerca de 3% do mercado, o Alta Banka não figura entre os maiores do país, mas a sua falência afeta um grande número de cidadãos russos que se instalaram na Sérvia desde a invasão russa da Ucrânia em 2022, uma vez que é um dos poucos bancos que aceitou abrir-lhes contas.
A filial do banco na Macedónia do Norte foi colocada sob administração provisória, o que implica, nomeadamente, a limitação dos levantamentos semanais a cerca de 150 euros para os seus clientes.
As detenções de hoje somam-se à do chefe da polícia criminal sérvia, Marko Kricak, no domingo.
Segundo o Ministério Público, a detenção de Kricak está relacionada com uma investigação a um homicídio ligado ao crime organizado, por suspeita de abuso de funções.
O chefe da polícia foi também acusado repetidamente pelo movimento estudantil de ter recorrido à "brutalidade" durante os protestos contra o governo de Vucic.