Gomes acusa cônsul-geral em Londres de interferência partidária e exige explicações a Paulo Rangel
Deputado madeirense do Chega questiona alegado desconvite a deputados do partido num encontro com empresários portugueses e defende que a rede consular não pode favorecer interesses do PSD
O deputado madeirense do Chega (CH) Francisco Gomes questionou a alegada interferência da cônsul-geral de Portugal em Londres numa iniciativa que envolvia deputados do partido eleitos para a Assembleia da República, exigindo explicações ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, sobre a utilização da rede consular portuguesa para favorecer interesses partidários do PSD.
As questões foram colocadas durante a audição ao ministro, na Assembleia da República, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2027, informa o deputado, situando a sua intervenção no espaço e tempo.
Francisco Gomes denunciou que dois deputados do CH, deslocados a Londres para contactar com as comunidades portuguesas, terão sido desconvidados, menos de 48 horas antes, de um jantar com o grupo de empresários "Amigos do Peixe".
Segundo o parlamentar, a decisão terá ocorrido depois de a cônsul-geral Ana e Brito Maneira, nomeada em Junho de 2025, ter manifestado ao responsável daquele grupo desconforto com a presença dos deputados.
"A rede consular portuguesa não é um braço armado dos caciques do PSD. Os consulados representam Portugal e os portugueses, não as clientelas partidárias de quem está no governo. Aquilo que aconteceu em Londres é uma vergonha e exige explicações imediatas", afirmou Francisco Gomes.
O deputado contrastou o episódio com anteriores recepções, pelo mesmo grupo, a figuras ligadas ao PSD, nomeadamente Mário Constantino Lopes, Rui Rio e Marques Mendes, questionando a existência de critérios políticos diferenciados.
"Dois deputados da Nação estão para ir a Londres para ouvir os portugueses e acabam desconvidados de um encontro porque, alegadamente, uma cônsul nomeada por Paulo Rangel não se sente confortável com a sua presença. Isto é diplomacia ou perseguição partidária?", questionou.
Francisco Gomes recordou ainda declarações públicas de Paulo Rangel em defesa da imparcialidade dos representantes consulares, exigindo que o ministro esclareça se pretende averiguar o sucedido.
"Para receber figuras do PSD não há problema, mas, quando aparecem deputados do CHEGA, começam os incómodos e os convites desaparecem. Tudo isto cheira a caciquismo partidário e a uma absolutamente abusiva da influência consular. Senhor Ministro, a sua palavra sobre imparcialidade vale alguma coisa ou vale tanto como a palavra de um boneco?", declarou em jeito de questionamento.
O parlamentar considera que o episódio deve ser esclarecido para garantir que a representação diplomática portuguesa não é condicionada por preferências partidárias.
"Os emigrantes portugueses não pertencem ao PSD, nem os consulados são sedes partidárias. Paulo Rangel tem de explicar se tolera que representantes do Estado interfiram em encontros de deputados legitimamente eleitos. A diplomacia portuguesa tem de servir a Nação, não os interesses de qualquer partido", concluiu Francisco Gomes.