Segundo dia de greve mantém encerramentos generalizados nas conservatórias da Madeira
O segundo dia de greve dos trabalhadores dos registos e Lojas do Cidadão está a causar fortes constrangimentos na Região Autónoma da Madeira, registando uma adesão de 92% e o encerramento da maioria dos serviços na ilha.
No Funchal, os serviços Predial, Comercial e Civil encontram-se totalmente encerrados, cenário que se repete nas conservatórias de quase todos os concelhos da região, incluindo Machico, Câmara de Lobos e Santa Cruz. Na Loja do Cidadão, os balcões de atendimento comercial (GARC) e automóvel (GARA) também não estão a funcionar, assegurando-se apenas os serviços mínimos para casos de urgência comprovada.
Paralelamente, o Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado (STRN) anunciou que pondera avançar com uma participação ao Ministério Público contra o Instituto dos Registos e do Notariado (IRN). O sindicato acusa a tutela de recolha e divulgação ilegal de dados de adesão durante o decurso da greve, contrariando o Despacho n.º 3876/2012-SEAP, que proíbe tais práticas antes do término do protesto.
A estrutura sindical contesta os números do Governo, que apontavam para 66,6% de adesão na Madeira e 51,2% no continente, contrapondo com dados próprios recolhidos no terreno que fixam a média nacional em 89% (82% no Continente, 95% nos Açores e 92% na Madeira). Según Arménio Maximino, presidente do STRN, diz que "os dados avançados pelo Ministério da Justiça não são verdadeiros" e servem como uma prática "ilegal e intimidatória".
A greve, que se estende até ao próximo sábado, visa reivindicar o recrutamento urgente de 270 conservadores e 2731 oficiais de registos de forma a suprir o grave défice estrutural do setor (onde estão por preencher 38% e 55% dos lugares, respetivamente), além de exigir a valorização das carreiras e a melhoria das condições salariais e de privacidade.