DNOTICIAS.PT
Mundo

UE abre primeiro bloco de negociações para adesão da Ucrânia e Moldova

None
Foto Shutterstock

A União Europeia abriu ontem o primeiro bloco de negociações de adesão com a Ucrânia e a Moldova, o mais importante progresso desde que o processo arrancou há dois anos.

A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, descreveu a abertura como "o maior passo rumo à adesão da Ucrânia desde dezembro de 2023", quando o Conselho Europeu deu luz verde às negociações, num momento marcado pela saída do então líder húngaro, Viktor Orbán, da sala para não bloquear formalmente a decisão.

"Desta vez ninguém teve de sair para tomar um café", disse a responsável comunitária ironicamente, na conferência de imprensa conjunta com o vice-primeiro-ministro da Ucrânia para a Integração Europeia e Euro-Atlântica, Taras Kachka.

Bruxelas e Kiev "atravessaram o Rubicão", disse Kachka, uma expressão que se refere a passar um ponto sem retorno.

Para o membro do Governo ucraniano, a Conferência Intergovernamental, durante a qual teve lugar a abertura dos dossiês, "é como uma liturgia".

"Hoje aconteceu este milagre cristão: o 'cluster' - como são conhecidos os blocos temáticos que agrupam os 35 capítulos técnicos da adaptação à legislação europeia - está aberto", afirmou.

O 'cluster' dos Fundamentos - o primeiro a abrir e o último a ser encerrado - abrange o Estado de Direito, o poder judicial, os direitos fundamentais e a luta contra a corrupção, atuando como o eixo central de todo o processo de adesão.

No entanto, os Estados-membros também enviaram a Kiev a sua lista de reformas pendentes: um poder judicial independente, contratação pública transparente e salvaguardas mais fortes contra a corrupção e o crime organizado, segundo Kos.

O dia inclui também a abertura do primeiro 'cluster' com a Moldova, que partilha calendário e estrutura de negociações com a Ucrânia, uma vez que ambos os países obtiveram o estatuto de candidato em junho de 2022, enquanto as negociações foram formalmente abertas em junho de 2024.

A abertura surge depois do novo governo húngaro, liderado pelo conservador Péter Magyar, ter levantado, no início do mês, o veto que, sob o executivo de Viktor Orbán, tinha paralisado o processo durante anos devido à unanimidade exigida entre os 27.

Kos avançou de manhã que Bruxelas espera abrir os cinco 'clusters' restantes em julho, desde o mercado interno ou competitividade até à agenda verde, agricultura e relações externas.

A comissária descreveu o dia como "mega-segunda-feira para o processo de alargamento europeu", aludindo também ao encerramento de dois capítulos pelo Montenegro e à abertura paralela do primeiro 'cluster' com a Moldova.