Greve dos docentes do pré-escolar e 1.º ciclo regista adesão de cerca de 60%
A greve dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo da Região Autónoma da Madeira, convocada pelo Sindicato dos Professores da Madeira (SPM), registou uma adesão de cerca de 60%, segundo dados avançados pela organização sindical durante uma concentração realizada esta manhã em frente à Secretaria Regional de Educação.
De acordo com a porta-voz do movimento, Lucinda Gabriel, várias escolas e edifícios escolares encerraram devido à paralisação, destacando-se casos na Achada, na Escola Básica Eleutério de Aguiar e em vários estabelecimentos de ensino do concelho de São Vicente. Outras escolas registaram adesões próximas dos 50%.
A dirigente sindical considerou os números "muito satisfatórios", sobretudo tendo em conta que esta é já a terceira greve promovida pelo sector durante o mês de Junho.
"Quem faz greve perde um dia de salário. Quem adere fá-lo porque está verdadeiramente descontente e quer demonstrar o seu desagrado", afirmou.
Entre as principais reivindicações dos profissionais da educação estão a revisão do calendário escolar, que mantém o pré-escolar e o 1.º ciclo em actividade por mais tempo do que os restantes níveis de ensino, a redução da componente lectiva de 25 para 22 horas semanais, a valorização dos cargos desempenhados pelos docentes e a criação de soluções específicas para os profissionais com mais idade e tempo de serviço.
O sindicato denuncia ainda a falta de representação dos docentes do pré-escolar e do 1.º ciclo nos órgãos de gestão das chamadas escolas de fusão, defendendo que esta situação compromete a participação democrática destes profissionais nas decisões escolares.
Durante a concentração, os representantes dos docentes sublinharam que a greve pretende chamar a atenção para problemas estruturais da escola pública e para aquilo que consideram ser uma situação de desigualdade e injustiça que afecta os profissionais da monodocência.
Questionada sobre o impacto da paralisação nas famílias e encarregados de educação, Lucinda Gabriel reconheceu os constrangimentos causados, mas defendeu que a resposta social às necessidades das famílias não pode continuar a ser assegurada exclusivamente pelas escolas. A porta-voz da iniciativa apelou à procura de soluções complementares através de protocolos com autarquias e outras instituições, argumentando que a permanência prolongada das crianças na escola não se traduz necessariamente em melhores aprendizagens.
A greve decorreu precisamente no dia em que terminam as actividades lectivas para a maioria dos restantes níveis de ensino, uma circunstância que o sindicato considera simbólica da desigualdade que continua a existir entre os diferentes grupos de docentes.