Governo atento a contribuições da diáspora científica portuguesa sobre nova agência
O Governo está a escutar e a avaliar contribuições da diáspora científica portuguesa no processo de criação da Agência de Investigação e Inovação (AI2), afirmou hoje em Londres o ministro da Educação, Ciência e Inovação.
Fernando Alexandre esteve hoje em Londres numa missão técnica a convite da Associação Portuguesa de Investigadores e Estudantes no Reino Unido (PARSUK) para conhecer a estrutura do sistema de investigação e inovação britânico.
"Viemos conhecer melhor o ecossistema de investigação e de inovação do Reino Unido, que também sofreu uma transformação importante nos últimos anos e que ainda está num processo de evolução, conhecer a experiência deles, os desafios, as dificuldades que tiveram, e partilhar também os desafios que temos, aquilo que estamos a fazer e em que medida é que podemos encontrar espaços de diálogo e de aprendizagem mútua", afirmou o ministro à Agência Lusa durante a visita.
O Governo aprovou em setembro de 2025 um decreto-lei para incorporar a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a Agência Nacional de Inovação (ANI) numa nova entidade, a AI2.
Várias organizações, reitores de universidades e investigadores manifestaram preocupação com este processo. O ministro reconheceu que a criação da AI2 é um processo complexo e que terá de ser feita uma aprendizagem e avaliação ao mesmo tempo que a sua implementação.
"Há um debate onde a comunidade está a participar de forma muito ativa. É um debate público muito transparente", disse Fernando Alexandre, reconhecendo os contributos da PARSUK, nomeadamente a organização da visita de hoje "para pensarmos as nossas prioridades estratégicas".
A AI2 deverá estar a funcionar na íntegra a partir de janeiro de 2027 e o Conselho de Administração terá um "espaço dentro da sua autonomia, da sua independência, para fazer ajustamentos. Está previsto também que num processo tão complexo, em que vamos ter um plano para cinco anos, possa haver ajustamentos, aprendizagem com aquilo está a correr bem aquilo está a correr mal", salientou.
A comitiva incluiu a secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, e funcionários do Ministério da Economia e Coesão Territorial, do Centro Português de Planeamento e Avaliação de Políticas Públicas (PLANAPP), da Direção-Geral de Estudos, Planeamento e Avaliação (DGEPA), da Direção-Geral da Economia (DGE), da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e da Agência Portuguesa para a Investigação e a Inovação (AI2).
Da parte do Governo britânico, estiveram representados os Ministérios da Ciência, Inovação e Tecnologia (DSIT), o Gabinete Governamental para a Ciência (GO-Science), e organismos ligados ao ensino superior e investigação, como Universities UK International, Digital Catapult e Wellcome Trust.
A PARSUK publicou em novembro um relatório onde compara os planos do governo português com a reestruturação feita pelo Executivo britânico, que juntou em 2018 sete conselhos de investigação na agência UK Research and Innovation (UKRI) em 2018.
O relatório referia que uma revisão independente da UKRI, publicada em 2022, concluiu que a fusão não cumpriu totalmente os objetivos propostos e alertou para os problemas em termos de eficiência administrativa, administração, limitações na autonomia estratégica e sinergias limitadas entre investigação e inovação.
O documento incluiu uma série de recomendações, como preservar as diferenças entre investigação fundamental e inovação, garantir a autonomia e transparência estratégica da AI2 e promover a tomada de decisão informada por evidência.
Em declarações à Lusa, a presidente da associação, Catarina Liberato, afirmou que a visita de hoje pretendeu mostrar que "existem lições concretas a retirar da experiência britânica na reforma dos sistemas de ciência e inovação -- e que nem todas são positivas".
"O nosso papel nesta missão não é validar as opções do Governo português para a reforma da ciência e inovação, mas garantir que essas opções são informadas por evidência comparada rigorosa", vincou.
A PARSUK facilitou o acesso direto da delegação portuguesa a instituições e pessoas, contactos "que levam anos a construir".
"A diáspora científica não é um recurso simbólico, mas uma fonte de conhecimento comparado, independente e baseado na experiência, que pode contribuir para uma tomada de decisão pública mais informada em Portugal" afirmou Catarina Liberato.