Contagem de votos na Nova Zelândia não dá maioria a nenhum dos grandes partidos
A contagem de 50% dos votos das eleições legislativas de hoje na Nova Zelândia, dominadas pelas preocupações com o custo de vida, não dá maioria a nenhum dos dois grandes partidos.
Segundo os números comunicados pela comissão eleitoral às 21:45 locais (08:45 em Lisboa), os conservadores do Partido Nacional, no poder, e a oposição de centro-esquerda do Partido Trabalhista, obtêm cada um 29,4% dos votos.
Os dois partidos estão separados por apenas alguns milhares de votos e nenhum parece estar em condições de ter assentos suficientes para governar sozinho, segundo estes números.
Entretanto, o líder da oposição e ex-primeiro-ministro trabalhista, Chris Hipkins, que procura estabelecer-se como uma alternativa, pediu um "entendimento".
O seu partido propôs um conjunto de medidas para aliviar a pressão económica sobre os neozelandeses: o preço dos produtos de primeira necessidade continua muito alto e o desemprego atingiu o nível mais alto em mais de uma década.
O primeiro-ministro em exercício, Christopher Luxon, espera que as suas promessas de não instaurar novos impostos ajudem a sua coligação de direita a manter-se no poder depois de três anos de mandato tumultuosos, com duas tentativas frustradas do seu próprio partido para o destituir e uma economia em declínio.
Como as sondagens a não apontarem um vencedor, a atenção também se volta para movimentos emergentes, como o Partido das Oportunidades (TOP), de centro.
"Certamente é uma das eleições mais disputadas e uma das mais difíceis de prever de toda a minha carreira", comenta para a AFP David Capie, professor na Universidade Victoria de Wellington.
Nas ruas de Wellington, muitos neozelandeses confessaram à AFP que estão a ter dificuldades para chegar ao fim do mês e pensam duas vezes antes de gastar.
"Os preços estão realmente altos", explica Jay Ikaua, conselheira cultural: "Eu preciso de tomar decisões ponderadas. Devo comprar aquilo?"
Rachel Shardlow, uma funcionária pública de 26 anos, considerou a situação "chocante". "Eu só pago a minha renda e as minhas contas, e tenho dificuldade em economizar e poupar para o meu futuro", lamenta.
Uma última sondagem publicada na sexta-feira colocava o Partido Trabalhista ligeiramente à frente do Partido Nacional, com 30% das intenções de voto.
As sondagens atribuem mais de 5% dos votos ao Partido das Oportunidades (TOP), o que lhe permitiria entrar no Parlamento. Seria uma estreia histórica na Nova Zelândia, para um pequeno partido sem ligação com os dois principais partidos políticos conseguir conquistar assentos, observam analistas, citados pela AFP.
O partido é liderado por Qiulae Wong, ex-consultora da KPMG e figura emergente da política neozelandesa, que se comprometeu a colaborar com um ou outro dos dois grandes partidos se for eleita.
"Acho que os neozelandeses estão realmente fartos das ofensas entre políticos, das disputas e das manobras políticas para marcar pontos", declarou Wong à AFP na semana passada.
E acrescentou: "Eles querem algo diferente, e realmente aspiram a esperança e ao otimismo para o futuro".