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Um pequeno caracol do Porto Santo inspira exposição de Nuno Henrique

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'Che cosa sono le nuvole?' reúne esculturas e desenhos na Torre do Capitão, numa reflexão sobre ecologia, arte e a fragilidade da beleza. A mostra inicia na Madeira a sua itinerância nacional e fica patente até Fevereiro de 2027.

Um pequeno caracol endémico do Porto Santo, cuja existência e distribuição limitada despertaram a atenção de Nuno Henrique, está na origem da exposição 'Che cosa sono le nuvole?', inaugurada esta tarde na Torre do Capitão – Núcleo Histórico e Museológico de Santo Amaro, no Funchal.

O artista plástico madeirense explicou que o projecto resulta de uma investigação iniciada no começo do seu percurso artístico, inicialmente centrada no dragoeiro. Foi durante esse trabalho que encontrou referências à existência de um pequeno caracol endémico do Porto Santo, uma descoberta que permaneceu consigo e acabou por dar origem a uma nova linha de criação.

"Fiquei sempre com isso presente", contou Nuno Henrique, que decidiu desenvolver trabalho a partir da estrutura da concha do animal. O artista procurou construir uma forma própria, mantendo a volumetria do seu interior, numa abordagem que deu origem a diferentes modelos e experiências de escala.

A exposição reúne esculturas e desenhos realizados com materiais como cartão, plexiglass, papel, gesso, madeira e cerâmica. O conjunto propõe uma reflexão sobre a ecologia e a fragilidade da beleza, tendo como ponto de partida uma espécie vulnerável que habita as rochas vulcânicas do Ilhéu de Cima.

'Che cosa sono le nuvole?' toma o título de uma curta-metragem de Pier Paolo Pasolini, de 1967, e corresponde à primeira etapa de um projecto que, segundo o artista, se desenvolve em três momentos.

Nascido no Funchal, em 1982, Nuno Henrique reside em Nova Iorque há cerca de uma década. A exposição foi apresentada anteriormente na Galeria 111, em Lisboa, entre Maio e Junho de 2025, e inicia agora na Madeira a sua itinerância nacional.

Na inauguração, o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, destacou a ligação da obra à Região, considerando que a criação parte de elementos da própria Madeira e aproxima os domínios do ambiente e da cultura. O governante felicitou ainda o artista e o projecto, que classificou como "bastante arrojado e simultaneamente exigente".

A exposição pode ser visitada na Torre do Capitão até ao final de Fevereiro de 2027.