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Explicador Madeira

Reservas da Biosfera celebram-se hoje

Santana e Porto Santo integram a rede mundial da UNESCO, que promove a conservação da natureza e o desenvolvimento sustentável

Santana
Santana, foto OD

O Dia Internacional das Reservas da Biosfera assinala-se hoje, 3 de Novembro, com o objectivo de destacar a importância destes territórios na protecção da biodiversidade, na valorização do património natural e cultural e na promoção de modelos de desenvolvimento sustentável.

A efeméride foi instituída pela UNESCO em 2021, no âmbito do Programa sobre o Homem e a Biosfera, criado em 1971. As reservas são territórios reconhecidos internacionalmente onde se procura conciliar a conservação dos ecossistemas com as actividades humanas, envolvendo as comunidades locais na gestão dos recursos naturais.

A classificação assenta em três funções fundamentais: conservar a biodiversidade e as paisagens, promover o desenvolvimento económico e social sustentável e apoiar a investigação científica, a educação ambiental e a monitorização dos ecossistemas.

Duas reservas na Madeira

A Região Autónoma da Madeira conta com duas Reservas da Biosfera reconhecidas pela UNESCO: Santana, classificada em 2011, e Porto Santo, integrada na rede mundial em 2020.

A Reserva da Biosfera de Santana abrange todo o concelho e a respectiva zona marinha, num total de 14.889 hectares. A classificação reconhece a riqueza da fauna e da flora, o elevado número de espécies endémicas e a importância da Floresta Laurissilva, Património Mundial Natural da UNESCO desde 1999. Valoriza igualmente as paisagens agrícolas, o património cultural e as actividades tradicionais.

Já a Reserva da Biosfera do Porto Santo abrange cerca de 27.310 hectares, dos quais a maior parte corresponde a área marinha. A classificação reconhece a singularidade dos ecossistemas terrestres e marinhos, a diversidade geológica, os ilhéus, as zonas dunares e a extensa praia.

A reserva integra mais de 2.100 táxones identificados, incluindo centenas de espécies endémicas. Entre os valores naturais destacam-se espécies ameaçadas, como o lobo-marinho e a tartaruga-comum, bem como diversos cetáceos que frequentam as águas do arquipélago.

O território inclui ainda importantes geossítios e áreas protegidas, valorizando também a identidade cultural da população, as práticas agrícolas tradicionais e a paisagem humanizada.

Conservação e desenvolvimento

As Reservas da Biosfera não são espaços destinados exclusivamente à protecção integral da natureza. Organizam-se em zonas-núcleo, de maior valor ecológico, zonas-tampão, onde são permitidas actividades compatíveis com a conservação, e zonas de transição, que abrangem áreas habitadas e de desenvolvimento sustentável.

A classificação procura demonstrar que a conservação ambiental pode caminhar lado a lado com actividades como a agricultura, a pesca, a investigação e o turismo responsável.

No Dia Internacional das Reservas da Biosfera, a UNESCO apela à valorização destes territórios como exemplos de cooperação entre comunidades, ciência e natureza, essenciais para enfrentar desafios como as alterações climáticas e a perda de biodiversidade.