Vacina como arma de protecção
Decorre até Março a campanha de vacinação sazonal contra a gripe
Na Região, a campanha de vacinação sazonal contra a gripe começou a 30 de Setembro, e prolonga-se até ao final de Março de 2027. O objectivo é reforçar a protecção das pessoas com maior rico de desenvolver complicações associadas a estas infecções respiratórias. Até 25 de Outubro tinham sido administradas 19.102 doses, das quais 12.494 correspondem a vacinas a maiores de 65 anos, com numa taxa de cobertura de 21,4%.
Segundo o mais recente Boletim de Vacinação Sazonal, partilhado pela Direcção Regional de Saúde, referente ao período entre 30 de Setembro e 25 de Outubro, o total de vacinas administradas fixa-se nos 19.102, o que corresponde a uma taxa global de 7,2%.
Élvio Passos , 30 Setembro 2026 - 13:05
Contudo, a vacinação sazonal foca-se em grupos de risco, sendo que no caso da gripe está recomendada a crianças dos 6 meses aos 4 anos, a pessoas com 60 ou mais anos, pessoas com patologias de risco, pessoas que vivem em contextos vulneráveis, e profissionais de saúde, entre outros grupos.
A vacinação é disponibilizada gratuitamente nos Centros de Saúde da Região, sendo que os horários e os procedimentos de atendimento são divulgados localmente por cada unidade de saúde. Para esta época, o Governo Regional investiu cerca de 800 mil euros na aquisição de 53 mil doses da vacina contra a gripe. Destas, 36 mil são de dose padrão e 17 mil de dose elevada.
A vacina de dose elevada está indicada para pessoas com 75 ou mais anos e para residentes em determinadas estruturas residenciais e de acolhimento. Até 25 de Outubro, foram administradas 6.862 vacinas de dose elevadas e 12.240 de dose normal.
Até ao momento, é Santana o concelho com a melhor taxa de cobertura, 15,1%, com um total de 1.004 vacinas administradas, seguindo-se a Calheta (11,2% e 1.302 vacinas). Os restantes concelhos apresentam taxas de cobertura abaixo dos 10%.
A vacinação continua a ser uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de doença grave, hospitalização e morte associadas às infecções respiratórias. Ao protegermo-nos, contribuímos também para proteger quem está à nossa volta, em particular as pessoas mais vulneráveis. Uma decisão simples. Uma proteção para todos. Direcção Regional de Saúde
“Vacinar-se é um gesto de protecção individual e responsabilidade coletiva”, vinca a Direcção Regional de Saúde. Para além de proteger as pessoas mais vulneráveis, bem como a população em geral, ajuda a diminuir a pressão sobre os serviços de saúde nos meses de circulação dos vírus respiratórios.
Na Região, estão ainda disponíveis 11.580 vacinas contra a covid-19, asseguradas pelo Governo da República. O mais recente Boletim de Vacinação Sazonal da Covid-19 dá conta de uma taxa de cobertura regional de 1,2%. Foram administradas 3.322 vacinas até 25 de Outubro de 2026, todas elas a adultos, na sua maioria a maiores de 70 anos (2.074), faixa etária com uma taxa de cobertura de 5,1%.
A administração das vacinas da gripe e da covid-19 pode ser simultânea, não sendo necessário respeitar qualquer intervalo de tempo. Contudo, o utente pode optar por lhe ser administrada uma vacina apenas, ou optar por uma primeiro e passado algum tempo escolher ser-lhe administrada a outra.
Campanha nacional
Simultaneamente, em Portugal continental decorre a campanha de vacinação sazonal Outono-Inverno 2026-2027, em unidades de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS), farmácias comunitárias aderentes e em outros locais de vacinação previstos. Prolonga-se, igualmente, até 31 de Março de 2027.
O SNS adquiriu 2 milhões e 330 mil doses de vacinas contra a gripe de dose normal e 369 mil doses de vacinas de dose elevada, o que representa um aumento de 187 mil doses de vacinas de dose normal e de 12 mil doses de vacinas de dose elevada, face à campanha anterior.
Relativamente à vacinação contra a covid-19, a estratégia para 2026-2027 passa a estar mais direcionada para os grupos populacionais com maior risco de doença grave, hospitalização e morte. Mantém-se a vacinação primária ao longo de todo o ano, mas a sua elegibilidade fica restringida a grupos específicos de maior risco clínico.
A vacinação sazonal Outono-Inverno constitui a medida mais eficaz para prevenir doença grave, hospitalização e morte associadas à gripe e à covid-19, contribuindo igualmente para a redução da pressão sobre os serviços de saúde durante os meses de maior circulação dos vírus respiratórios, bem como, para reforçar a protecção dos profissionais e das pessoas que vivem ou trabalham em contextos de maior vulnerabilidade. Serviço Nacional de Saúde
É alargado o grupo da população abrangido pela campanha de vacinação sazonal no caso da gripe, do qual são exemplo, as crianças dos 6 meses aos 4 anos de idade, grávidas, pessoas com idade entre os 18 e os 59 anos com patologias de risco elegíveis e todas as pessoas com 60 ou mais anos de idade, entre outros.
Avisa o Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde que, em paralelo, se verifica a nível europeu uma situação de escassez de vacinas contra a gripe. Em Portugal, esta situação reflecte-se numa disponibilidade limitada das vacinas destinadas à dispensa em farmácia comunitária, mediante prescrição médica, a pessoas não abrangidas pela campanha de vacinação sazonal.
Dada a disponibilidade limitada, que não se traduz numa limitação das doses destinadas às pessoas elegíveis no âmbito da campanha, e com vista a facilitar o acesso à vacina da gripe, o Infarmed recomenda que as doses disponíveis para dispensa mediante receita nas farmácias não sejam utilizadas em pessoas abrangidas pela campanha.
1 milhão e 300 mil pessoas
Mais um 1,3 milhões de pessoas receberam a vacina contra a gripe desde o início da campanha de vacinação sazonal de Outono-Inverno 2026-2027 em Portugal, a 30 de Setembro. Até 25 de Outubro, tinham sido administradas 1.339.486 doses de vacinas contra a gripe, das quais 689.106 em farmácias aderentes e 650.380 em unidades do SNS, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde.
Entre as pessoas com 60 ou mais anos, mais de 1,1 milhões de pessoas já tinham sido vacinadas contra a gripe, correspondendo a uma cobertura de 35,24%. No grupo com 85 ou mais anos, este indicador atingiu 44,24%, com 177.882 pessoas vacinadas. Quanto à covid-19, mais de 600 mil pessoas fizeram a vacinação sazonal, com a cobertura mais elevada entre os maiores de 85 anos (27,3%) e a mais baixa na faixa dos 60 aos 69 anos (9,12%).
Como funcionam as vacinas
As vacinas contêm partes enfraquecidas ou inactivas de um determinado organismo (antigénio) que desencadeia uma resposta imunitária do corpo. As vacinas mais recentes contêm a matriz para produzir antigénios e não o próprio antigénio. Independentemente de uma vacina ser constituída pelo próprio antigénio ou pela matriz para que o corpo possa produzir o antigénio, esta versão enfraquecida não causará a doença na pessoa que recebe a vacina, mas desafia o seu sistema imunitário a responder como o teria feito na sua primeira reacção ao verdadeiro agente patogénico.
Quando alguém é vacinado, fica muito provavelmente protegido contra a doença em causa, mas não só. Podem, também, proteger quem não esteja vacinado. Quando existem muitas pessoas vacinadas na comunidade, o agente patogénico tem dificuldade em circular. Assim, quanto mais pessoas forem vacinadas, menor a probabilidade de as pessoas que não podem ser protegidas pelas vacinas correrem o risco de ficarem expostas aos agentes patogénicos perigosos. A isso chama-se imunidade de grupo.
Isto é especialmente importante para as pessoas que não só não podem ser vacinadas, mas podem ser mais susceptíveis a doenças para as quais existem vacinas. Não existe nenhuma vacina que confira 100% de protecção e a imunidade de grupo não confere protecção total a quem não possa ser vacinado com segurança. Ainda assim, com a imunidade de grupo, essas pessoas terão um grau de protecção considerável.
As vacinas não só protegem as pessoas que as recebem, mas também as pessoas da comunidade que não podem ser vacinadas. Quem puder, deve ser vacinado. Organização Mundial de Saúde