Acampada de Lisboa acusa Governo de preferir "bastonadas" a resolver crise
O movimento acampada de Lisboa acusou hoje o Governo de preferir bastonadas a resolver a crise da habitação, após o ministro da Administração Interna ter assumido a responsabilidade política nas intervenções policiais na madrugada de domingo.
"Isso é bastante demonstrativo de que este Governo prefere as bastonadas a resolver o problema da crise da habitação e a dialogar com pessoas que legitimamente lutam pelo direito a estar no espaço público e a exigir medidas do Governo para a crise da habitação", disse à agência Lusa João Veloso, um dos porta-vozes da acampada de Lisboa, durante o 14.º dia de acampamento, na Praça de D. Pedro IV, em Lisboa.
Pelas 20:00 cerca de uma centena de pessoas estavam concentradas no Rossio, uns cantavam e tocavam instrumentos de percussão e outros estavam sentados a conversar.
Numa audição no âmbito da discussão na especialidade da proposta do Governo do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), o ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu "a responsabilidade política" na intervenção policial nas acampadas de Porto e Lisboa.
Para João Veloso, a tomada de decisão de Luís Neves "é reveladora de que o Governo não tem respostas nenhumas que resolvam o problema da crise da habitação".
"É bastante revelador, ele assumir que esteve em contacto com a polícia e tendo em conta a atuação que a polícia teve, acho que isso é bastante revelador da política do governo para quem para quem defende o direito à habitação", lamentou.
À Lusa, João Veloso recordou última carga policial no Rossio:
"Foi horroroso. Durante horas, as pessoas foram perseguidas por Lisboa. Pessoas que ficam com a cabeça aberta tiveram que ir ao hospital receber tratamento. Foram mais de 25 pessoas que ficaram feridas. Acho lamentável e escabrosa esta atitude".
Na semana passada, a PSP dispersou à bastonada e com recurso a cães as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os protestos pelo direito à habitação começaram a 10 de outubro na Praça D. João I, no Porto, e em Lisboa a 17 de outubro na Praça de D. Pedro IV, tendo existido tensão com a polícia que não permite que as tendas permaneçam durante a noite nestas praças.
A primeira carga policial aconteceu no Porto a 15 de outubro.