Acampada de Lisboa não irá "arredar pé" mesmo com mercado de Natal no Rossio
A Acampada de Lisboa disse hoje que o mercado de Natal na Praça do Rossio, que se prevê a partir de 13 de novembro, não será motivo para que o momento pelo direito à habitação "arrede pé" deste local.
"O mercado de Natal do Rossio parece-me um problema irrisório perante aquilo que são as mobilizações justas que estão a acontecer nesta praça pelo direito à habitação, pelo fim da precariedade nas nossas vidas, e, portanto, estas mobilizações vão continuar enquanto o movimento popular assim quiser e assim se mobilizar para o fazer", afirmou Teresa Mamede, uma das porta-vozes do movimento Acampada de Lisboa, em declarações à agência Lusa.
Daqui a duas semanas prevê-se a instalação do mercado de Natal no Rossio, que a Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP) já anunciou que irá decorrer entre 13 de novembro e 21 de dezembro, na Praça D. Pedro IV.
Falando na Praça D. Pedro IV, vulgarmente designada de Rossio, onde os manifestantes da Acampada de Lisboa se têm concentrado desde 17 de outubro e onde pelas 20:00 de hoje estão reunidas cerca de duas centenas de pessoas, Teresa Mamede reforçou que não vai ser um mercado de Natal que vai fazer com que a luta pela habitação tenha de sair do local que tem ocupado.
"Sair desta praça é uma decisão que cabe ao movimento e sairemos quando sairmos, se sairmos, nos nossos termos", frisou a porta-voz, referindo que os manifestantes já foram despejados, "com violência, duas vezes", deste local, lembrando a carga policial na manhã de 20 de outubro e na madrugada do passado domingo.
"Continuamos a aparecer aqui, portanto acho que isso é a resposta que podemos ver. O movimento não está a parar, não está a recuar perante a repressão, perante as tentativas de silenciamento, e continuaremos esta luta, continuaremos a mobilizar, continuaremos a fazer um apelo aos sindicatos para a convocatória de uma greve geral pela habitação", declarou, defendendo uma greve ibérica para 11 de novembro.
Questionada sobre expectativa para a manifestação convocada para o sábado às 16:00 no Largo de Camões, e que terminará no Rossio, depois de no passado sábado terem estimado a participação de cerca de 25 mil pessoas no protesto que começou na rotunda do Marquês de Pombal e desceu a Avenida da Liberdade até à Praça D. Pedro IV, Teresa Mamede anteviu que "será enorme, como têm sido todas as mobilizações desde que este movimento começou".
"As pessoas continuam a ver que a questão da habitação não está a ser respondida pelos poderes políticos. A única resposta do Governo é a violência sobre os manifestantes, é uma tentativa de calar o dissenso", referiu, considerando que as pessoas continuarão a mobilizar-se, "sobretudo quanto mais se vir esta tentativa de calar os protestos".
Quanto à atuação da polícia na manifestação do próximo sábado, tendo em conta as cargas policias no último fim de semana em Lisboa e no Porto, a porta-voz do movimento disse que "não há nenhum prognóstico a fazer", esperando para ver como o Governo se irá continuar a posicionar.
"Nós estaremos aqui, sem arredar pé, para continuar a lutar, não só pelo nosso direito a protestar e a manifestar, um direito conquistado por Abril [Revolução de Abril de 1974], mas também pelo nosso direito à habitação", frisou.
Em relação à decisão de voltar a montar as tendas no Rossio, no próximo sábado, após a manifestação, Teresa Mamede defendeu que as tendas são o símbolo do movimento da Acampada, que se está a tornar um movimento nacional, criticando "o braço de ferro que o Governo está a fazer".
Ao contrário do que tem acontecido nos últimos dias em que a assembleia popular da Acampada de Lisboa tem começado às 19:00, com microfone aberto, a reunião de hoje está prevista começar às 21:00, decisão que foi tomada por questões de programação e para "testar um horário diferente que pudesse permitir talvez mais pessoas participarem", explicou a porta-voz.
Quanto à possibilidade de decidirem hoje montar as tendas no Rossio, Teresa Mamede ressalvou que "é sempre uma decisão coletiva, tomada todos os dias", mas adiantou que se prevê a concentração de esforços para a mobilização de sábado.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.