Engenheira madeirense revela os desafios de trabalhar na Fórmula 1
Anabela Teles, que passou pela Racing Bulls e integra actualmente a Cadillac Formula 1 Team, partilhou na MadIT 2026 o percurso que a levou da paixão pelo automobilismo ao desenvolvimento de componentes de alta competição
A paixão pelo desporto automóvel, despertada ainda na Madeira, levou Anabela Teles a construir uma carreira internacional na Fórmula 1. A engenheira madeirense, que começou o seu percurso profissional na Racing Bulls e integra actualmente a Cadillac Formula 1 Team, esteve esta sexta-feira no Funchal, onde partilhou os desafios de trabalhar num dos ambientes tecnológicos mais exigentes do desporto mundial.
A intervenção decorreu no âmbito da MadIT 2026 – Madeira Innovation Talks, no Centro de Congressos da Madeira, perante uma audiência particularmente jovem. Licenciada em Engenharia Física e mestre em Engenharia Mecânica pela Universidade do Porto, Anabela Teles recordou como o interesse pelo automobilismo, que surgiu em 2010, evoluiu para uma paixão pela mecânica e pelo desenvolvimento de soluções de engenharia.
Um dos momentos decisivos da sua formação foi a participação na Formula Student, competição universitária da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Integrou a equipa responsável pelo desenvolvimento do primeiro protótipo da faculdade, um projecto que envolveu a concepção, o desenho e os testes de um veículo de competição, posteriormente apresentado em três provas internacionais. A equipa conquistou o primeiro prémio nas categorias de conceito e plano de negócio.
Depois de concluir a formação académica, iniciou a carreira em Itália, na Racing Bulls, como engenheira de design mecânico, com responsabilidades nas áreas da hidráulica e da caixa de velocidades. Actualmente, trabalha na Cadillac Formula 1 Team, em Silverstone, onde participa no desenvolvimento de sistemas e componentes, com especial enfoque na interface entre o monolugar e o piloto, incluindo os sistemas de direcção.
Durante a apresentação, deu a conhecer a evolução tecnológica da Fórmula 1, desde os materiais utilizados aos componentes e ao software, mas também a realidade quotidiana de uma jovem engenheira a trabalhar no estrangeiro, integrada em equipas multidisciplinares e num sector tradicionalmente dominado por homens.
A exigência, a rapidez na tomada de decisões e a procura constante de desempenho são características de um ambiente onde a inovação tecnológica tem de responder a desafios concretos e imediatos. Uma cultura de trabalho que resumiu numa atitude de "podemos fazer".
Aos jovens que ambicionam seguir uma carreira nesta área, deixou um conjunto de recomendações: "Temos de saber desenrascar, encontrar soluções, ter ambição e proactividade, atenção ao detalhe e paixão pelo trabalho". Uma motivação que encontra na própria experiência: "Quando termino o dia, saio feliz porque estou a fazer algo que me apaixona".
Anabela Teles reconheceu a importância da formação académica e da participação na Formula Student para adquirir competências técnicas, mas apontou também o contacto directo com o automobilismo como decisivo para encontrar a sua vocação. Foi a experiência nas pistas, "a cheirar a gasolina", que lhe despertou verdadeiramente a paixão e abriu caminho à concretização de um sonho.
A MadIT 2026 – Madeira Innovation Talks – Contadores de Histórias de Inovação – Para Partilhar & Inspirar decorre esta sexta-feira, no Funchal, numa iniciativa organizada pela Região Madeira da Ordem dos Engenheiros.