María Corina Machado assegura que transição é irreversível e agradece apoio decisivo dos EUA
A líder da oposição venezuelana María Corina Machado disse hoje que a transição é irreversível na Venezuela e que a restauração da democracia está a avançar, agradecendo o apoio e a intervenção dos Estados Unidos no processo.
"Estou aqui. Estamos aqui para dar tudo pela Venezuela. Neste duro caminho para a liberdade, os venezuelanos tornaram-se muito melhores, mais fortes, mais nobres, mais generosos, mais sábios. Derrotámos as barreiras que a tirania construiu para tentar separar-nos, sanámos as feridas que tínhamos e agora podemos salvar o país, sanar o país, afirmou a Prémio Nobel da Paz 2025, numa conferência de imprensa em Caracas, após ter regressado ao país no domingo passado.
Machado deixou a Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Nobel da Paz e esteve quase um ano no estrangeiro, acusando o Governo liderado pela presidente interina, Delcy Rodríguez, de a impedir de regressar ao país.
"A nossa rota tem sido a dos impossíveis; em todo o caminho diziam-nos que era impossível conseguir o que nos tínhamos proposto. E eu lembro-me sempre de que, quando enfrentávamos estes obstáculos, era com o ânimo, com o espírito de nos tornarmos maiores. Quanto maior o obstáculo, mais nos exigíamos e mais bem preparados ficávamos para o seguinte. E fizemo-lo, como gostamos de dizer, à venezuelana", declarou a líder da oposição venezuelana, na conferência de imprensa realizada na Universidade Católica Andrés Bello (UCAB).
María Corina Machado disse a sua presença na Venezuela demonstra que está a avançar o plano de três fases apresentado pelo Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro durante uma operação militar das forças norte-americanas em Caracas.
"A transição democrática é irreversível (...). Quero agradecer ao Presidente Donald Trump, ao Governo dos Estados Unidos e ao secretário de Estado [norte-americano], Marco Rubio, porque, graças à sua visão e coragem, e à sua ação de 03 de janeiro, abriu-se esta porta para a liberdade que permitirá que a Venezuela avance numa transição democrática e que consolidemos o nosso país como o maior aliado que os EUA alguma vez terão na nossa região", sublinhou.
María Corina Machado frisou ainda que a transição prevê a realização de eleições presidenciais na Venezuela em 2027 e reafirmou o caráter pacífico e cívico da resistência venezuelana, apesar das pressões e do cenário político tenso no país.
"O secretário de Estado, Marco Rubio, apresentou um plano de ação com vista a avançar para uma transição democrática que deixa clara a realização de eleições presidenciais em 2027. Isso responde com responsabilidade à urgência de um país (...) a nossa luta sempre foi pacífica. Provocaram-nos, feriram-nos, causaram-nos danos, humilharam-nos. Tem sido sempre uma luta pacífica; a nossa arma tem sido a verdade e a nossa força tem sido o amor", acrescentou.
Por outro lado, reiterou que o seu regresso tem como objetivo principal unificar todas as forças políticas e civis venezuelanas e avançar de forma organizada para a reconstrução institucional do país.
"Regressei para mobilizar a sociedade, para contribuir para organizar ainda mais todas as nossas equipas e redes cidadãs, para escutar cada cidadão, para incorporar todos os setores, todas as organizações políticas e civis na construção deste novo projeto de país, nesta nova república que emerge. E regressei para terminar uma tarefa e cumprir um mandato", concluiu.
María Corina Machado, de 59 anos, venceu as eleições primárias da oposição venezuelana em 2023, mas foi impedida de concorrer às presidenciais de julho de 2024, tendo apoiado o candidato Edmundo González Urrutia.
Na altura, a oposição contestou a reeleição de Nicolás Maduro, alegando que os resultados recolhidos pelas suas estruturas eleitorais davam a vitória a Edmundo González Urrutia.