Oposição convoca marcha para exigir presidenciais e regresso de Maria Corina
A oposição venezuelana convocou hoje uma mobilização nacional para quinta-feira para exigir eleições presidenciais, a libertação de presos políticos e o regresso seguro da opositora Maria Corina Machado, Prémio Nobel da Paz 2025, a Caracas.
O anúncio foi feito durante uma conferência de imprensa em Caracas pelo dirigente juvenil Carlos Alberto Fernández, do Vente Venezuela, o partido de Maria Corina Machado, em nome da coligação opositora Plataforma Unitária Democrática (PUD).
"No dia 22 de outubro, a Venezuela vai mobilizar-se em todos os estados deste país, de forma simultânea (...) Vão mobilizar-se todos os setores deste país, os partidos políticos da Plataforma Unitária e os que estão fora dela", disse.
Segundo Carlos Alberto Fernández, as mobilizações têm "quatro exigências muito claras", sendo a primeira "o regresso seguro de Maria Corina Machado ao país" para "restabelecer a ordem de forma pacífica" e "acelerar a transição".
A segunda exigência, disse, é um calendário eleitoral para eleições regionais e presidenciais no país.
A terceira exigência é a de que as eleições presidenciais se realizem a 24 de julho de 2027, data do nascimento, em 1783, de Simón Bolívar, conhecido como 'O Libertador'.
"E, a quarta exigência, e uma das mais importantes, é a plena liberdade dos presos políticos. Chega de manter sequestrados os nossos irmãos venezuelanos", disse sublinhando que "ainda hoje há presos políticos que não se sabe onde estão, cujo paradeiro é desconhecido".
Durante o anúncio, Carlos Alberto Fernández, antecipou que vai tratar-se de "uma manifestação histórica" que em Caracas terá lugar pelas 16:00 locais (21:00 em Lisboa) em Plaza Venezuela.
O opositor defendeu que há ainda mais razões para manifestar, entre elas a situação do país, que se agrava à medida que a presidente interina Delcy Rodríguez permanece no poder - após ter substituído Nicolás Maduro, capturado por forças norte-americanas no início do ano.
"A Venezuela atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história. Não só tivemos de lidar com a maior onda de perseguição, tortura e exílio da história do nosso país. De famílias destruídas por culpa do regime de Nicolás Maduro e de Delcy Rodríguez, agora também temos de lidar com um país às escuras, que passa 8, 10 e 11 horas [por dia] sem luz. Um país que não tem abastecimento de água, durante dias, meses, semanas", disse.
Denunciou ainda que há "professoras que não podem dar aulas porque não têm como fazê-lo", "mães que não têm como mandar os seus filhos para a escola" e que o "país está a morrer de fome".
"Quanto mais tempo Delcy permanecer no poder, em Miraflores, mais vidas se perdem, na fome, na escuridão e não podemos continuar a permitir isto, porque a necessidade, a urgência que existe é real", apelou.