Corina Machado reitera apelo ao protesto para exigir presidenciais na Venezuela
A líder da oposição da Venezuela e vencedora do Prémio Nobel da Paz 2025, María Corina Machado, reiterou o apelo a uma mobilização nacional, na quinta-feira, para exigir a marcação de eleições presidenciais.
"Vá com os seus filhos, leve a sua família, leve a sua bandeira de cabeça erguida, convencido de que isso depende de cada um de nós, porque a Venezuela será livre, que o mundo inteiro veja", disse Corina Machado.
A mensagem surgiu num vídeo, publicado nas redes sociais na terça-feira, no qual Corina Machado informou que o protesto terá lugar por volta das 16:00 de quinta-feira (21:00 em Lisboa).
A opositora questionou a narrativa de conformismo face à crise política na Venezuela e defendeu que a luta constante abriu caminho a mudanças políticas.
"Vejam onde estamos; mas pensem em todas as vezes que nos disseram: 'é o que há para hoje, aguente aí' (...). Será que Maduro estaria a enfrentar a justiça? Estaríamos hoje, novamente, nas ruas? Por isso, quando lhe disserem 'é o que há para hoje', nós respondemos: 'sim, é o que há para hoje: um povo decidido a ser livre'", declarou Machado.
A oposição venezuelana convocou para quinta-feira uma mobilização nacional para exigir eleições presidenciais, a libertação de presos políticos e o regresso seguro de Corina Machado a Caracas.
O anúncio foi feito durante uma conferência de imprensa em Caracas pelo dirigente juvenil Carlos Alberto Fernández, do Vente Venezuela, o partido de Corina Machado, em nome da coligação opositora Plataforma Unitária Democrática.
Segundo Carlos Alberto Fernández, as mobilizações têm "quatro exigências muito claras", sendo a primeira "o regresso seguro de María Corina Machado ao país" para "restabelecer a ordem de forma pacífica" e "acelerar a transição".
A segunda exigência, disse, é um calendário eleitoral para eleições regionais e presidenciais no país.
A terceira exigência é a de que as eleições presidenciais se realizem a 24 de julho de 2027, data do nascimento, em 1783, de Simón Bolívar, conhecido como 'O Libertador'.
"E, a quarta exigência, e uma das mais importantes, é a plena liberdade dos presos políticos", disse.
O opositor defendeu que há ainda mais razões para os venezuelanos se manifestarem, entre elas a situação do país, que se agrava à medida que a presidente interina, Delcy Rodríguez, permanece no poder, após ter substituído Nicolás Maduro, capturado por forças norte-americanas no início do ano.
No final de setembro, Delcy Rodríguez prometeu, no primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU desde que assumiu o poder, realizar eleições e afirmou que o povo do país determinará o "momento certo".
A oposição acusa o regime de estar a ponderar convocar eleições presidenciais apenas para 2028 e insiste que deveriam acontecer já em 2027.